A Administração do Ciberespaço da China anunciou, na sexta-feira, o lançamento de uma campanha nacional, com duração de um mês, para eliminar conteúdos digitais que promovam a rejeição do casamento e da maternidade. A iniciativa decorrerá durante as férias do Ano Novo Lunar e visa criar um ambiente festivo e positivo ‘online’, através da fiscalização reforçada de plataformas e serviços digitais populares.
Segundo o documento, a campanha incidirá sobre temas que geram fortes reações sociais, incluindo conteúdos que propaguem valores como “não casar” ou “não ter filhos”, que incentivem antagonismo entre géneros ou promovam ideias de “medo do casamento” e “ansiedade parental”.
A campanha abrangerá ainda rumores relacionados com transportes e abastecimento durante as férias – o período mais movimentado do ano no país -, a produção massiva de conteúdos de baixa qualidade com recurso a inteligência artificial e a utilização de temas festivos para atrair internautas para atividades ilegais, como o jogo ‘online’.
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A iniciativa surge depois de a China ter registado em 2025 apenas 7,92 milhões de nascimentos, o valor mais baixo desde que há registos, acumulando quatro anos consecutivos de declínio populacional.
Nos últimos anos, as autoridades têm adotado subsídios, alargamento de licenças por casamento, reformas no registo nupcial e medidas de apoio à natalidade e à educação infantil, numa tentativa de promover uma sociedade mais favorável ao casamento e à parentalidade.

