Macau acorda para o disparate

Os casinos acordam... com o pesadelo do regresso descontrolado dos trabalhadores não residentes que vivem em Zhuhai. Abrindo os casinos, ou vinham já, ou perdiam o emprego; pois a seguir enfrentariam quarentena obriga­tória. De repente... o catch 22: aumenta o risco de contágio, mas lá terá de ser. O sacrifício da longa paralisia rende-se à urgência de ligar o motor da economia.

É bom que se perceba - de uma vez por todas - que esses trabalhadores são indispensáveis. Oportunidade importante para recordar a des­criminação de que são alvo: dos direitos laborais e sociais aos cívicos e políticos, da assistência médica ao perfil jurídico escravizante de um direito ao trabalho que pertence à empresa - e não ao indivíduo.

A Lei Básica impede que os portadores de Bilhe­te de Residente Permanente sejam barrados na fronteira. Logo, o pânico transmite-se a todos os outros. Depois do elogio e da obediência às medidas de contenção, entre 12 a 20 mil trabalhadores não residentes tomam de assalto a fronteira, dormindo em Macau, onde calha, amontoados sabe-se lá onde, em condições de higiene e de prevenção inadequadas à conten­ção dos riscos de contágio.

Aplaude-se o regresso destes cidadãos, que dia­riamente servem Macau, ainda que dormindo ali ao lado. Mas há um desgoverno momentâ­neo. Não se percebe porque não se organizou o regresso por fases, com acompanhamento e segurança clínica, evitando o pânico e as dúvi­das sobre o controlo pandémico. Por outro lado, transferir para a privada a responsabilidade de os alojar e controlar sintomas é um claro revés face à imagem de liderança e competência que o Executivo vinha transmitindo.

Estaria a crise a ser gerida por não residentes "especiais", que regressaram ao Norte... aban­donando Macau aos seus vícios de raciocínio? A ironia tem aqui lugar... e contagia.

Relacionadas

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG