OMS desagrada Trump

Após o início do surto do novo coronavírus em Wuhan, na província de Hubei, o Governo chinês implementou várias medidas para prevenir o alastramento da doença, e a recente descida no número de infetados mostra que estas foram devidamente implementadas, com a comunidade internacional a elogiar os esforços da China. No entanto, alguns não es- tão muito satisfeitos com os elogios à China. Recentemente, numa conferência de imprensa do Fórum da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o coronavírus, alguns meios de comunicação europeus insinuaram que a China tinha pedido para que a OMS elogiasse o país. E tendo em conta que para a China a reputação é algo muito importante, não foi uma pergunta simples. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS, tem elogiado os esforços da China no combate contra a epidemia, palavras que tiveram uma interpretação política junto do público ocidental. A estes comentários, o diretor respondeu dizendo: "Não precisamos de agradar a ninguém". Acrescentou que elogiar países publicamente serve dois propósitos: primeiro, encorajá-los a continuar na direção que têm seguido, e, em segundo lugar, fazer com que outros vejam nestes um exemplo.

Um jornalista da Euronews aproveitou os elogios à China para fazer mais algumas perguntas de caracter político ao diretor. No entanto, o responsável manteve-se firme, respondendo: "Sei que existe muita pressão na OMS tem elogiarmos a China sobre o trabalho que por feito até agora, mas por isso mesmo é que não podemos esconder a verdade. A China não nos exigiu, nem está a exigir que a elogiemos, esta é a realidade. Todos partlhamos da mesma opinião, e a China está a ser elogiada porque o merece." Ainda bem que o diretor não é chinês, caso contrário já teria sido apelidado de apoiante do Governo, ou acusado pelos media ocidentais de ter recebi- do subornos ou ameaças para elogiar o país. Além de Tedros Adhanom Ghebreyesus ter salientado que esta não é a sua opinião, mas sim a de toda a organização, quase todos os restantes membros do conselho de administração da organização partilharam elogios em relação à China.

Um órgão de comunicação alemão não deixou também de comentar que não existe qualquer propósito em criticar a OMS numa altura como esta, incentivando a que os vários países ignorem momentaneamente os conflitos que têm. Tendo em conta que Tedros Adhanom Ghebreyesus está a lutar contra duas epidemias em dois continentes, com um surto de Ébola no Congo e o coronavírus na China, está a fazer um grande trabalho. No fórum de dia 21 passado, o diretor da OMS gritou: "União, união, união! Não tenham medo! Não devemos diabolizar e atacar a China, mas sim ajudá-los! Juntos contra um inimigo comum, o novo coronavírus". Estas palavras parecem ter chegado a Washington, que numa altura em que o mundo está em crise devido a estas duas epidemias, decide reduzir o apoio à OMS. O Governo de Trump decidiu um corte de mais de três mil milhões de dólares em financiamento de programas de saúde globais no orçamento para o novo ano, incluindo um corte de 53 por cento em apoios à OMS, que pode ou não ser a resposta do presidente aos elogios que a organização fez à China.

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