Laços

1 - O desafio lançado pelo ex-presidente timorense José Ramos-Horta na entrevista que publicamos esta semana faz todo o sentido. Macau passar a ter mais visibilidade em Timor-Leste - no quadro das relações bilaterais e da cooperação entre Pequim e Díli - através do apoio, em nome próprio, a projetos de cariz comunitário e social, que poderiam passar pelo apoio ao alívio da pobreza, saneamento básico, escolas e bibliotecas em zonas rurais, centros recreativos e culturais entre outras iniciativas que deixem uma marca indelével e duradoura no coração das comunidades.

O modelo proposto poder-se-ia alargar a Países de Língua Portuguesa africanos, convertendo-se Macau numa plataforma solidária de ajuda ao desenvolvimento, complementando e enriquecendo a presença da China nesses espaços geográficos e sociedades. Por outras palavras, esses programas e iniciativas traduzir-se-iam numa efetiva projeção de "soft power" - no que de melhor o conceito tem - de Pequim através de Macau, a mais amigável e calorosa face da China para a lusofonia.

2 - As relações entre povos e através das comunidades tem potencialidades por explorar no espaço da China/Macau/Lusofonia. Isso mesmo é afirmado por Y Ping Chow, líder da Liga dos Chineses em Portugal e figura de proa da comunidade chinesa em solo lusitano. Vem a este propósito o interessante repto de Chow para que as relações Macau-Portugal passem mais pela comunidade chinesa em Portugal. No novo ciclo que se vai iniciar em dezembro, há condições para um alargamento do âmbito das relações entre Macau e Lisboa a este respeito, aproveitando a coincidência da origem familiar de Ho Iat Seng ser a mesma - província de Zhejiang - da grande maioria dos chineses que residem em Portugal. Simetricamente, esperam-se passos para um melhor enquadramento e valorização da comunidade portuguesa de Macau nas dinâmicas do futuro.

3 - A criação da Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim reveste-se de um significado especial, sinalizando a elevação do ensino da língua e cultura portuguesas nesta instituição, com a promoção de departamento a faculdade. A rede de ensino do português na China não para de crescer, bem como os laços que ligam universidades de países lusófonos (sobretudo Portugal) e as chinesas. Macau tem contribuído para essa dinâmica, com resultados visíveis, sobretudo nos anos recentes. Mas, naturalmente, que perante o ritmo saudavelmente acelerado das relações luso-chinesas ao nível do ensino e língua tem todas as condições para dar passos mais ambiciosos dentro e fora de portas. Aqui ao lado, na Grande Baía, levando a língua portuguesa, "por este rio acima".

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