Importantíssimo c/VÍDEO

Assinalam-se hoje, 8 de fevereiro, 40 anos sobre o estabelecimento das relações diplomáticas entre a República Portuguesa e a República Popular da China. Todavia, como é salientado pelo Embaixador Duarte de Jesus em entrevista a esta edição do PLATAFORMA, não faz sentido reduzir esta celebração às quatro décadas. Os laços luso-chineses abrangem um período histórico de meio milénio, tendo sido em grande medida pautados pela amizade, cooperação e confluência de interesses.

Macau foi sempre um ator principal nesta dinâmica. Desde logo até 1999, mas, de forma diferente, também desde então.

Nas últimas duas décadas, a China emergiu como potência à escala global, com uma presença chave no espaço do antigo Império português, concedendo a Macau o papel de plataforma sino-lusófona. A parceria estratégica firmada em 2005 procurou reconhecer a especificidade de Portugal, mas o ponto de viragem surgiu em 2012 com o fluxo de investimento chinês. A visita do presidente Xi Jinping a Portugal, em dezembro último, sinalizou um novo ímpeto na parceria, com um foco alargado além do comércio e investimento, incidindo também sobre ciência e tecnologia, cultura e educação.

Numa altura em que as tensões entre a China e alguns países ocidentais - com os Estados Unidos à cabeça - sobem de tom, Portugal, pela geografia, história e diversidade de parcerias externas, ganha uma renovada centralidade. Sendo importante um escrutínio e entendimento rigorosos dos interesses económicos e geopolíticos em causa, Lisboa faz bem em colocar-se à margem de paranóias e histerias ao serviço de agendas de outrem.

Neste contexto, Macau continua a desempenhar um papel incomensurável - ou nas palavras de Duarte de Jesus, "importantíssimo" - tendo todas as condições para se afirmar nesta onda crescente das relações luso-chinesas. Não somente como plataforma económica e comercial, mas também ao nível da educação e cultura.

A este respeito, não obstante o que há por fazer, as autoridades locais têm dado sinais encorajadores, que se traduzem em eventos culturais e na aposta na língua e no ensino. Aqui e lá.

O número de escolas particulares em Macau a oferecer o português como língua estrangeira subiu para 37 e, nos últimos cinco anos, o número de estudantes de Macau em estabelecimentos de ensino superior de Portugal quase duplicou, para 312. Em ambos os casos com apoio do Governo e entidades públicas locais.

Sendo esta uma estrada de dois sentidos e com frutos que se traduzem no longo prazo, é crucial que os resultados do passado recente ao nível das relações culturais e educacionais com Portugal tenham continuidade e sejam aprofundados no novo ciclo político que Macau vai abraçar em dezembro com o novo Governo. Sem complexos e com benefícios mútuos e múltiplos para todas as partes.

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