Estrutural e estruturante

A visita Portugal na próxima semana do Chefe do Executivo, Chui Sai On - naquela que será a sua terceira missão oficial a Lisboa enquanto líder do Governo - surge numa fase de aprofundamento das relações sino-portuguesas a vários níveis. Esse reforço tem sido visível também através da intensidade e frequência das visitas de alto nível. No espaço de sete meses tivemos, em outubro, a vinda do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, a Pequim, Guangzhou e Macau, a ida do Presidente Xi Jinping a Lisboa em dezembro, e a visita do presidente de Portugal a Pequim, Xangai e Macau, na semana passada.
O apoio de Lisboa à Iniciativa Faixa e Rota, o nível de investimento chinês em Portugal e a expansão de laços entre Lisboa e Pequim no campo das ciência e educação constituem oportunidades, mas também desafios para o papel e a mais-valia que Macau. O significado histórico e simbólico desta cidade nas relações luso-chinesas tem sido salientado sempre nas visitas de alto nível. E, na verdade, faz todo o sentido que Macau e a presença portuguesa e lusófona aqui sejam um dos principais beneficiários desta dinâmica. No entanto, além da importante função simbólica e histórica, há que dar passos mais ambiciosos em termos substanciais. A vocação de Macau é bem mais que ornamental. Os instrumentos existem e as bases estão lançadas. As reuniões da Comissão Mista e da Subcomissão da Língua e Educação têm sinalizado esse ambiente propício.
A visita de Chui a Lisboa e ao Porto não deverá encerrar um ciclo, mas sim elevar o patamar do relacionamento e afirmar Macau no novo contexto das relações luso-chinesas, dando passos concretos que alicercem a fase que se inicia no final deste ano com um novo Governo da RAEM que, se espera, possa ter foco e empenho reforçado, não apenas nos laços múltiplos com Lisboa, mas também no desiderato de Macau como plataforma com todo o espaço pluricontinental com os países de língua portuguesa.
O aumento do fluxo de pessoas, turistas e profissionais, entre Macau e Portugal - e os restantes países lusófonos - é uma condição necessária para o novo impulso.
Macau tem tudo a ganhar com mais e melhores profissionais de países lusófonos, sobretudo num contexto de escassez de mão-de-obra qualificada para enfrentar os desafios decorrentes da estratégia Um Centro (mundial de turismo e lazer), Uma Plataforma (com os países de língua portuguesa) e do plano de desenvolvimento da Grande Baía. É algo de estrutural e estruturante.

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