Aperto de mão e abraço - VÍDEO

Demorou um minuto o caloroso aperto de mão entre o presidente Xi Jinping e Ma Ying-jeou em novembro de 2015. A cimeira de Singapura foi a primeira entre líderes dos dois lados desde a separação há cerca de sete décadas. O momento era histórico, mas acontecia semanas antes do final do segundo e último mandato de Ma como presidente da República da China (Taiwan) e um ano e meio após o movimento estudantil Sunflower de oposição ao acordo económico entre os dois lados do estreito.

Três anos volvidos, com uma liderança em Pequim cada vez mais assertiva - num contexto externo particularmente tenso - e um partido no poder em Taipé - Partido Democrático Progressista (DPP) - muito cético face à China e com tendências independentistas, as portas para o entendimento permanecem trancadas. No seu discurso a semana passada, Xi Jinping reafirmou o princípio Um País Dois Sistemas como a via para reunificação pacífica - algo visto como inevitável. Afinal, quando Deng Xiaoping delineou esta solução inovadora para resolver as questões de Hong Kong e Macau tinha em mente Taiwan. No entanto, nem o Kuomintang (KMT) parece estar disposto nesta fase a trabalhar com base na fórmula vigente nas duas regiões administrativas especiais.

O caminho para a aproximação política entre os dois lados do estreito só parece viável se for feito em termos aceitáveis independentemente de quem está no poder em Taipé. Isso exige criatividade, confiança mútua, evolução política dos dois lados, muita habilidade e muita paciência. Sem precipitações de pendor belicista da parte do continente nem guinadas independentistas que se desviem do status quo na ilha e num contexto diferente das relações sino-americanas.

Para Macau e Hong Kong, o retorno da tónica da ligação do princípio Um País Dois Sistemas à questão de Taiwan é importante, mas traz também à o que se passou nestes últimos cinco anos. Não obstante a prosperidade e o respeito pelo estatuto especial das duas cidades, vários episódios que sucederam no passado mais recente refletem uma pressão crescente sobre a autonomia e características diferenciadoras do "segundo sistema", enviando mensagens deveras contraproducentes para a concretização do desígnio da reunificação pacífica com Taiwan. Uma correção desse caminho seria benéfica para todos os lados - e, em último caso, para a China e processo de modernização e ascensão benigna só praticável com base no binómio paz e desenvolvimento. Não é preciso inventar a pólvora; o importante é não brincar com o fogo. Um futuro aperto de mão entre os líderes dos dois lados do estreito até poderá durar vários minutos, mas só terá frutos se não for entendido pela ilha como "abraço do urso".

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