Vaga nacionalista

A opinião de Paulo Rego, administrador Plataforma Macau e Global Media

Xi Jinping afaga o ego nacionalista e exige a integração de Taiwan, com o mesmo grau de autonomia de Hong Kong e Macau. Já não chega... Nesta altura, talvez nem exército próprio e política externa convençam a ilha independentista. Aliás, quanto maior é a ameaça, mais cresce a desconfiança. A reunificação por consenso é quiçá possível, mas só com uma China liberal quanto baste a Taipé. Pequim sabe disso; logo, este discurso musculado serve outro propósito: colar militares e a ala conservadora do PC ao poder palaciano. A tensão interna é forte... e se a crise económica se apressa, ameaça todo o horizonte político, incluindo a polémica extensão do mandato presidencial.
A narrativa militar dispara também o alarme internacional. A liderança global, vendida em tom maoista, somado à bota cardada no Estreito... é campo minado para a diplomacia externa. Como sempre, Taipé joga com isso. Não há Faixa e Rota, Projeto Lusófono, multiculturalismo ou comércio global que resistam ao uso da força em Taiwan.
Do outro lado da barricada, Trump carrega também na tecla nacionalista. A Guerra Comercial e o muro com o México servem a semiótica militarista e protecionista de um líder carente do chão conservador. A conjuntura internacional abala os seus alicerces e os dados económicos assustam. Com a bolsa em queda e o desemprego a subir, Trump cai nas urnas, mesmo que resista na Justiça.
No curto prazo, Xi e Trump servem-se mutuamente; representam o inimigo externo que explica o uso - e abuso - do poder interno. Mas o médio prazo é perigoso. Depois do crash na Bolsa, em 1929, o protecionismo económico e os nacionalismos - fascista e comunista - moldaram as condições para a II Grande Guerra. A História nem sempre se repete, mas é bom não repetir a fórmula que correu mal.

* Administrador Plataforma Macau / Global Media

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