Parcerias entre a China e os Países de Língua Portuguesa: Um mecanismo para as novas realidades

Desde a década de 1990, a China começou a estabelecer parcerias próprias e está constantemente a reestruturar e aprofundar as mesmas, em linha com a actual situação internacional. A criação de uma rede global de parcerias é uma característica da diplomacia Chinesa e o Presidente Xi Jinping, na sua reunião de trabalho central no exterior, em 2014, afirmou que "deve-se conhecer melhor os seus amigos e formar uma rede global de parcerias". No mesmo ano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou na cerimónia de abertura do seminário diplomático da China que "as parcerias construídas pela China têm características iguais, pacíficas e inclusivas."
Até à data, a China estabeleceu diferentes formas de parceria com mais de 90 países do mundo. Os termos normalmente utilizados para descrever as parcerias são "estratégica", "cooperativa", "abrangente" e "amigável". Estes termos descrevem as parcerias entre a China e o país através de diferentes combinações. Muitas vezes, as parcerias que contêm o termo "estratégia" são mais bem classificadas do que apenas relacionamentos "colaborativos" ou "amigáveis". Além disso, no contexto de diferentes períodos de tempo e em diferentes países, será reforçada a cooperação em diferentes áreas prioritárias, e na descrição das associações serão dadas algumas palavras com características próprias ou temporais. Por exemplo, em Junho de 2019, a parceria entre a China e a Rússia tornou-se uma parceria estratégica global da nova era; em novembro de 2018, a China estabeleceu uma parceria estratégica "24 horas por dia" com o Paquistão; em Abril de 2017, a China e a Finlândia estabeleceram e promoveram novas parcerias voltadas para o futuro.
Nos últimos anos, os laços entre a China e os Países de Língua Portuguesa têm vindo a aumentar e aprofundar as parcerias já estabelecidas entre eles. Além disso, os Países de Língua Portuguesa que ainda não têm uma parceria com a China, estão a estudar e a promover activamente a sua criação.
O Brasil foi o primeiro país a estabelecer uma parceria estratégica com a China (1993). Nos mais de 10 anos seguintes, através de inúmeras visitas e encontros recíprocos de Chefes de Estado, houve um diálogo bilateral e relações estreitas. Em 2009, por ocasião do 35º aniversário da Construção da China e do Brasil, os dois países decidiram reforçar ainda mais a parceria estratégica. Em 2012, as relações entre os dois países foram elevadas à categoria de parcerias estratégicas globais, tendo o seu impacto global e estratégico aumentado. Em 2014, os dois países decidiram aprofundar ainda mais a parceria estratégica global entre a China e o Brasil, por ocasião do 40º aniversário da construção das relações China e do Brasil.
Portugal estabeleceu uma parceria estratégica global com a China em 2005, e ambas as partes concordaram em reforçar a cooperação nas seis áreas do diálogo político, economia, língua e cultura, educação, ciência e tecnologia, justiça e saúde. Em 2017 foi formalizada a parceria azul entre a China e Portugal, sendo também o primeiro país da União Europeia a estabelecer oficialmente uma parceria azul com a China. Em Dezembro de 2018, por ocasião do 40º aniversário da sua adopção, os dois países decidiram reforçar a parceria estratégica global entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
Em 2010, a China e Angola emitiram uma declaração conjunta sobre o estabelecimento de uma parceria estratégica. Em 2018, a China e Angola celebraram o 35º aniversário do "encontro entre os dois países" e ambas as partes manifestaram interesse em promover conjuntamente a parceria estratégica entre a China e Angola. Em 2014, o Primeiro-ministro Timorense visitou a China e formalizou uma parceria global de boa vizinhança e confiança mútua. Em 2016, o Presidente de Moçambique visitou a China, onde, devido à tradicional amizade entre os dois países, surgiu na luta comum contra o imperialismo e o colonialismo e a luta pela libertação política de Moçambique, os dois países concordaram que as relações têm importância estratégica. Como resultado, os dois países estabeleceram parcerias estratégicas "abrangentes".
Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe não têm ainda parceriais formais com a China. No entanto, nos últimos anos, através da iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota", a cooperação entre os três países e a China tem vindo a ser cada vez mais frequente, procurando e promovendo a criação de modos de cooperação. De acordo com a imprensa oficial existem passos no sentido de uma maior aproximação, como demonstram os seguintes títulos: "a China e Cabo Verde estão comprometidos com a construção de parcerias estratégicas", "a China e São Tomé e Príncipe, promovendo a plena parceria entre os dois países", "promover o desenvolvimento profundo das relações bilaterais entre a China e a Guiné-Bissau e criar uma nova situação nas relações entre os dois países".
Actualmente, no contexto da parceria entre a China e os Países de Língua Portuguesa, quatro dos cinco países lusófonos com os quais a parceria foi estabelecida estão no nível de "estratégia". É por isso que a parceria entre a China e os Países de Língua Portuguesa é importante. Por um lado, a China e os restantes três países lusófonos que ainda não formalizaram as suas parcerias mas têm interesse mútuo em avançar para o objectivo da parceria. Por outro lado, os países lusófonos que já estabeleceram relações de parceria têm de continuar a aprofundar o espaço para actualização. Assim, o desenvolvimento das parcerias entre a China e os Países de Língua Portuguesa têm grande potencial, em especial porque permitem uma adaptação constante às novas necessidades bilaterais.
Além disso, no âmbito da política "Uma Faixa, Uma Rota", de acordo com os últimos dados oficiais, no final de abril de 2019, a China assinou 187 documentos de cooperação com 131 países e 30 organizações internacionais. Actualmente, entre os Países de Língua Portuguesa, apenas o Brasil, a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe ainda não assinaram documentos específicos neste sentido. Dos 131 países, mais de 60 já estabeleceram parcerias com a China e um documento de cooperação com o país sobre a iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota". Os Países de Língua Portuguesa têm uma posição privilegiada na geopolítica de "Uma Faixa, Uma Rota" e a criação e promoção de parcerias, pode também reforçar o intercâmbio e a cooperação entre eles.

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