Premium Negociações comerciais entre a China e os EUA

Já passaram dois terços do período de "cessar fogo" de 90 dias acordado entre a China e os EUA. Durante este período os dois lados tiveram várias sessões de negociação sobre os conflitos comerciais, todas parecendo trazer perspetivas positivas. Chegando a esta fase final de diálogo, ambos os países esperam que seja formulado um acordo, e ambos estão a trabalhar para tal. A China anunciou que o vice-primeiro-ministro viajava para os EUA no final de janeiro e Donald Trump expressou várias vezes a vontade de chegar a um consenso e pôr um fim a esta guerra comercial.

Segundo a informação disponível, o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, após convite do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, e do representante do Departamento de Estado do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, liderou uma delegação de visita aos EUA esta semana para mais um diálogo. Um encontro altamente importante para ambos os lados, para mais depois de vários membros da Casa Branca, em meados de janeiro, terem discutido a possibilidade de eliminação das tarifas adicionais sobre importações chinesas como tentativa de acalmar o mercado. Entre estes, Robert Lighthizer disse, citado pelo Wall Street Journal, estou contra a proposta de Steven Mnuchin de eliminar todas ou algumas tarifas em várias reuniões. Em negociações passadas sobre a China, Trump assumiu estar sempre do lado de Lighthizer. Contudo a posição do presidente americano mudou, recentemente, ao fazer pressão sob Lighthizer para que chegue a um acordo num futuro próximo.

Uma revelação como esta a anteceder a visita de Liu He, embora altamente positiva, não altera o facto de que a probabilidade de um acordo ser elaborado durante a reunião é reduzida. O melhor resultado que poderá sair deste diálogo será os EUA aceitarem todas as concessões exigidas pela China e anularem temporariamente as tarifas sobre as importações, dando tempo à China de cumprir as promessas. Trump afirmou que as negociações com a China têm sido positivas, e que devido às tarifas a economia chinesa está a enfrentar um período difícil, dizendo, contudo, acreditar que "chegarão a um acordo final". Estes comentários podem dar a entender que Trump não está disposto a ceder, porém, o presidente americano está claramente preocupado com o possível impacto deste conflito comercial na bolsa americana. Os dois países reuniram-se três vezes em Pequim para discutir este problema durante o mês passado, todavia nada foi anunciado após tais reuniões, revelando que um acordo final ainda está longe de acontecer. Alguns economistas e analistas de mercado preveem que Trump chegará a um "pequeno acordo" com a China. Como salientado pelo jornal "Bloomberg", Trump está ansioso que seja elaborado um acordo, pois tal irá impulsionar de novo o mercado da bolsa que sofreu gravemente com estes conflitos comerciais. Alguns conselheiros na Casa Branca têm defendido que seja posto um fim a este conflito como forma de acalmar a bolsa atualmente em queda, e declarações recentes de Trump e de membros do Governo parecem também mostrar uma certa urgência para tal. Todavia, embora a China esteja disposta a chegar a um acordo e tenha feito já algumas cedências, como as compras de soja americana, ajudando assim os EUA a acalmar os respetivos mercados, o país continua firme em relação às exigências mais radicais. Não foi a China que deu início a esta guerra, e não irá dar a vitória ao lado americano. Prém os chineses acreditam que "não há nada mais precioso que a paz", e a visita de Liu He é um símbolo da dedicação do lado chinês a estas negociações. Resta apenas esperar que este ano lunar possa acabar com uma nota positiva.

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