Carregado de ansiedade (I)

O presidente americano Donald Trump anunciou recentemente que devido à demora das negociações com a China para a resolução da atual guerra comercial sino-americana, será dado início à imposição de novas tarifas sobre 200 mil milhões de dólares em importações chinesas, passando de 10 por cento para 25 por cento. Trump afirmou que o ritmo lento das negociações afetou também a sua capacidade de levar a cabo outras tarefas.
O desejo de Trump era resolver a questão comercial com a China em apenas uma negociação, porém 10 sessões aconteceram sem a sua liderança. Todas estas apresentaram progressos, mas o facto de nenhuma ter resultado num acordo final, juntamente com a rápida evolução chinesa, deixou Trump impaciente. Já passou um ano desde o início destas negociações, e ao longo desse tempo a China foi sofrendo transformações que fazem com que as condições anteriormente propostas por Trump pareçam quase desatualizadas.
O presidente americano tem pressionado a China para implementar reformas estruturais. Ao princípio as suas condições não eram excessivas, no entanto, com a aceleração repentina da reforma e abertura chinesa, Trump foi apanhado de surpresa. O país tem assistido a grandes mudanças em medidas políticas a nível nacional e internacional, tem sofrido uma transformação estrutural cuja dimensão e velocidade excedeu as expectativas americanas. A China está também a criar a base para uma nova fase de crescimento, e após a sua transformação económica, terá também início a passagem de um crescimento quantitativo para um qualitativo, fazendo com que a China substitua os EUA como principal mercado mundial. Todavia, ainda nenhuma nação demonstra poder para ocupar o papel da China como fábrica do mundo, e a sua capacidade de inovação científica e tecnológica demonstram também potencial para ultrapassar os EUA. A "guerra" sobre a tecnologia 5G foi um teste à atual aliança ocidental, que resultou numa tentativa falhada de conter a China. Na verdade, tanto com a guerra comercial sino-americana como com a questão da tecnologia 5G, os EUA estão apenas a oferecer publicidade gratuita à China. Se tais conflitos não tivessem acontecido, talvez o resto do mundo não tivesse tido oportunidade de se aperceber da influência que a China tem no mundo atual. Desta forma, Trump apenas acelerou o ritmo e intensidade da reforma e abertura chinesas.
As alianças têm também demonstrado mudanças, e por isso a Europa, um dos principais aliados americanos, tem alterado a sua atitude em relação à China. O último ano tem sido especialmente desafiador para a União Europeia, e a atual evolução chinesa demonstra aos europeus que existem vantagens em manter uma relação próxima com a China. O recente encontro entre Xi Jinping, Emmanuel Macron, Angela Merkel e Claude Juncker marca uma grande mudança na forma como a UE aborda a China, que desde então escolheu aceitar a ascensão chinesa, altamente benéfica para o crescimento das relações bilaterais entre as duas regiões.


*Editor sénior

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