Arsenal militar do sul da Ásia

De acordo com a informação noticiada pelo China Daily, no passado dia 6 de março, soldados da Índia e Paquistão bombardearam postos militares e aldeias um do outro perto da linha de controlo de Caxemira. Ambos acusam o lado oposto pelo ataque. No entanto, até ao momento, não existe registo de nenhum ferido. Após este conflito, as relações entre os dois países entram novamente numa fase negativa, sendo que anteriormente se esperava uma melhoria depois de o Paquistão ter soltado um piloto indiano que estava detido. Qual será a dimensão do impacto deste incidente nos laços entre os dois países? Vários analistas acreditam que todas as tensões que têm surgido ao longo deste mês provam que será extremamente difícil para os dois países resolver as respetivas incompatibilidades. Mais de 40 membros das tropas indianas foram mortos num ataque surpresa no Paquistão pelo exército Jaish-e-Mohammed, que levou a que a Índia iniciasse um contra-ataque sem qualquer investigação. Quando as forças aéreas indianas entraram no espaço paquistanês, o Paquistão contra-atacou em autodefesa, abatendo dois aviões indianos e detendo um dos pilotos. Como forma de tentar reabilitar as relações bilaterais, o Paquistão decidiu soltar o piloto em causa e iniciar uma campanha militar contra grupos terroristas armados. Ao longo desta iniciativa já foram detidos vários membros do exército Jaish-e-Mohammed, dois dos quais estavam na lista de suspeitos de um ataque bombista na Índia. Então, se o Paquistão já demostrou sinceridade e dedicação para com a resolução das relações, porque é que a Índia mantém a mesma atitude? Após o conflito no início do mês, o exército indiano emitiu um comunicado onde alertou o Paquistão de que, caso haja mais uma provocação, o lado indiano irá atacar. Neste documento foi ainda mencionado que a Índia tinha descoberto presença de tropas paquistanesas na fronteira afegã, representando para o país, claramente, um investimento na presença militar paquistanesa em preparação para outro ataque sobre o lado indiano. O Paquistão mantém uma posição pacífica, porém ainda não é certo se a Índia irá aceitar estas tréguas. No mesmo dia em que teve lugar este conflito, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Kong Xuanyou, visitou o Paquistão para discutir a situação atual na região com os líderes paquistaneses, deixando claro que a China está a procurar promover a paz e estabilidade a nível regional. O lado chinês compreende que um conflito de grande dimensão entre estes dois países irá inevitavelmente afetar as restantes nações vizinhas, por isso a Índia não precisa de se preocupar ou criar suspeitas em relação ao lado paquistanês, e esta visita procura apenas promover uma mensagem de calma e controlo. Na verdade, o lado indiano deve até estar consciente do facto de que ambos os países envolvidos no conflito são potências nucleares, possuindo dois dos arsenais militares mais impressionantes da região. Se não for posto um travão a estes confrontos, as consequências serão devastadoras. Os dois países devem, sim, iniciar diálogos com a mediação de países como a China, os EUA e a Rússia. O Paquistão já demostrou abertura para tal, agora resta apenas a Índia dar o mesmo passo.

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