Abuso de liberdade

O ocidente vigia atentamente Hong Kong, temendo abusos de autoridade; os mais críticos acenam mesmo com o fantasma de intervenção militar chinesa - que não pode acontecer. Mas a invasão do Conselho Legislativo, por parte de ativistas radicais, é um abuso de liberdade que prejudica o legítimo protesto contra a lei da extradição. O que se passou na última segunda-feira é guerrilha urbana, a todos os títulos inaceitável. A selvajaria é crime; tem de ser combatida pela autoridade e condenada na justiça.

O vandalismo de uns poucos ofusca a coragem e a consciência cívica das largas centenas de milhares que ordeira e pacificamente antes se haviam manifestado pelas suas convicções - marca admirável de Hong Kong. Mas também as autoridades merecem elogio, face à calma e ponderação que têm demonstrado. Aliás, se neste caso a polícia falhou foi ao permitir aquele vandalismo - talvez com receio de ser acusada de repressão. Não há país, mais ou menos democrático, que permita aquele abuso de liberdade. Se a polícia de choque tivesse sido mais dura - mesmo violenta - para impedir aquele vandalismos, em Lisboa, Londres ou Washington, certamente teria o apoio do Governo, e da população.

O espírito daquele radicalismo tem de ser controlado. É dramático que jovens se suicidem alegadamente em nome da luta contra a lei da extradição. Não há nada em Hong Kong que o justifique, a não ser um ódio visceral pela simples ideia de China que é superior ao valor da própria vida. Não faz qualquer sentido.

Os defensores da autonomia - ou da luta pela democracia - têm uma nova responsabilidade: trazer a causa de volta a patamares de razoabilidade, que mereçam respeito e apoio da população em geral e da comunidade internacional. Na tensão em Hong Kong, a China tem responsabilidades e obrigações; tem de responder por elas. Mas a luta pela autonomia - democrática ou não - também têm as suas.

* Administrador do Global Media Group e Plataforma Macau

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