Premium Universidade da Cidade de Macau quer atrair incubadoras

Universidade da Cidade de Macau quer atrair incubadoras

A Universidade da Cidade de Macau (UCM) pondera criar no futuro uma incubadora de empresas ou de ideias a partir de propostas de cooperação vindas dos Países de Língua Portuguesa (PLP). Este pode ser o resultado prático das ações de formação ministradas pela universidade, sob a liderança do Forúm para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau).

"A formação que estamos a oferecer está a tornar-se mais aplicada. Na prática tentamos ´provocar´ os formandos a apresentarem propostas de cooperação. A partir do momento em que existam, pode evoluir-se para um género de incubadora de empresas ou de ideia", disse ao PLATAFORMA José Alves, da Faculdade de Gestão da universidade.

Para o responsável, no futuro, e sempre através da liderança do Fórum Macau, "o próprio Governo pode entender que, havendo um conjunto de ideias com origem em quadros dos PLP que já passaram por Macau, será oportuno começar a fazer-se aqui a seleção de projetos e a criarem-se incentivos para a respetiva concretização".

José Alves e Francisco Leandro, do Instituto para a investigação China - Países de Língua Portuguesa, falavam ao PLATAFORMA, numa conversa que junto ainda Marco Rizzolio, empresário e formador, no final de uma ação de formação sobre turismo que juntou em Macau cerca de 30 quadros das administrações públicas dos PLP.

A UCM desenvolve ações de formação, por iniciativa do Forúm Macau, desde 2013. As ações, geralmente com a duração de duas semanas, destinam-se sempre a quadros da Administração Pública dos Países de Língua Portuguesa, explicou Francisco Leandro.

José Alves esclareceu que o tema da formação é sempre definido pelo Fórum, de acordo com a sua estratégia para a cooperação entre a China e os PLP, e versa sobre temas como turismo, serviços financeiros, direito da propriedade intelectual, capacitação produtiva, serviços e comércio.

"Os temas definidos pelo Fórum vêm ao encontro de áreas já identificadas pelos vários países e consideradas interessantes para a formação, adiantou.

As duas unidades da UCM envolvidas nestas ações são a Faculdade de Gestão e o Instituto para a Investigação China-Países de Língua Portuguesa, através do Instituto Aberto. Esta entidade, que não concede graus académicos, está vocacionada para a formação profissional.

"No fundo, fazemos formação para executivos, através do Instituto Aberto. Damos conteúdo às ideias do Fórum e colocamo-las em prática, fazendo uso do nosso potencial, recorrendo ao nosso know-how. A Universidade Cidade de Macau presta um serviço ao Fórum", reforçou Francisco Leandro.

O académico adiantou que nas ações de formação, os responsáveis têm usado "um racional que tem sido uma fórmula de sucesso", centrado em quatro áreas: "protocolar, letiva (em sala, com a presença de especialistas), trabalho de grupo entre os participantes e visitas a organismos públicos e privados, em função do tema da formação.

Assegurou também que a UCM "irá até onde o Fórum tiver necessidade", lembrando que "há um diálogo permanente". O Fórum lança os temas e a instituição académica adapta os programas de formação e faz sugestões".

Para os dois responsáveis, um dos fatores mais importantes destas ações é permitir que os formandos troquem experiências, criem redes e, sobretudo, fiquem a conhecer melhor a China e Macau. Francisco Leandro deu como exemplo a ação de formação que agora terminou.

"Nesta ação - Colóquio sobre Gestão do Turismo, Convenções e Exposições para os PLP - percebeu-se, nomeadamente que os formandos desconheciam o que é que cada um dos outros países está a fazer no setor do turismo. Só por isso, estar aqui já foi muito importante. E foi Macau que os juntou. E isto é único", atirou Francisco Leandro.

O responsável destacou que um fator "muito significativo" destas ações "é estar-se perante quadros das administrações públicas dos PLP ligados ao planeamento", o que o leva a acreditar que "estas experiências vão contar agora ou no futuro em função dos contributos que cada um deles vai ter para o planeamento dos respetivos países".

"No futuro queremos fazer melhor, por exemplo, envolver cada vez mais os agentes económicos de Macau e da China nestas ações. Estes cursos começaram por ser muito para dentro. Agora queremos voltá-los para fora. Meter os agentes económicos a participar, a falar. Macau pode ter um papel concreto e muito importante nesta área do turismo, enquanto plataforma", disse.

Para o professor, "plataforma é um conceito, em que o fundamental é criar oportunidade, identificar problemas, discutir, imaginar soluções e sobretudo desenvolver contactos. Plataforma é aquilo que a administração central da China costuma designar como people-to-people exchange. Ou seja, criar oportunidade para as pessoas estarem juntas e depois desenvolverem laços e, depois, criarem valor".

Apostar nas relações China-Macau-PLP

Francisco Leandro lembrou que a UCM está apostada em apoiar as relações China, Macau, PLP, trazendo à escola "especialistas para ajudarem a compreender melhor" a realidade dessas entidades.

"Este é o valor da UCM. Enquanto em todas as outras a área fundamental é a língua portuguesa, com grandes méritos diga-se, designadamente o Instituto Politécnico de Macau e a Universidade de Macau, sobretudo na aposta nas ferramentas de tradução automática, a nossa tem olhado para todas as restantes áreas. Damos atenção à língua, mas não é a nossa prioridade. Essa vai da economia aos negócios, por exemplo. Preparamos os alunos, partilhando know-how, dando-lhes a conhecer os países, levando-os lá. Conhecer os PLP não é falar português, é muito mais do que isso", disse.

Lembrou que a Universidade Cidade de Macau tem discipllinas como sistemas jurídico-políticos dos PLP, a história dos colonialismos e as relações, económicas, comercias e culturais.

"É tudo abordado, mas a língua não é, certamente a nossa prioridade", disse, assegurando que essa é "a parte boa, ao conseguirem-se sinergias entre a Faculdade de Business e o Instituto para a Investigação China-PLP".

Foco nos países lusófonos Insulares

Francisco Leandro falou também de uma nova área de trabalho, ligada a uma especialização focada naquilo a que se chama "Portuguese Speaking Island States", ou seja, os estados-arquipélagos de Timor-Leste, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, onde se inclui a Guiné-Bissau.

"Esta é a nossa área de prioridade. É aí que se focam os nossos projetos. Há outras, mas esta será a principal. Nos próximos anos, se tudo correr bem, temos planeadas muitas coisas, como o grande projeto para a constituição de uma plataforma eletrónica de apoio à investigação e à publicação", indicou, assegurando ser esta "uma área que não existe em Macau".

"Trata-se de uma plataforma que daqui a alguns anos será capaz de disponibilizar material para investigação. Temos um acervo brutal de materiais que não está disponibilizado, porque não temos ainda condições para o fazer. A nossa universidade tem investido uma soma considerável em materiais que queremos disponibilizar aos alunos. Será uma plataforma que lhes vai permitir publicarem depois de terminarem mestrados e doutoramentos", concluiu.

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