Um milhão de pessoas protestaram contra lei de extradição

Mais de um milhão de pessoas estiveram nas ruas de Hong Kong este domingo em protesto contra contra plano do Governo que visa permitir extradições para a China continental. Números da polícia apontam para 270 mil manifestantes.

Uma multidão vestida sobretudo de branco, empunhando cartazes com as palavras de ordem "No evil law" e guarda-chuvas amarelos, exigindo a demissão de Carrie Lam, a dirigente pró-Pequim da administração de Hong Kong, desfilou a partir do Parque Vitória, em Hong Kong, estendendo-se numa marcha de mais de um quilómetro que encheu as ruas do território.

O branco, sugerido pelos organizadores, simboliza justiça e também luto na cultura chinesa, enquanto os guarda-chuvas amarelos se tornaram símbolos das manifestações em favor da democracia em 2014, que então juntaram nas ruas de Honh Kong cerca de meio milhar de pessoas.

Segundo os organizadores, citados por várias agências noticiosas internacionais, este domingo esse número foi largamente ultrapassando, indicando que foram mais de um milhão as pessoas a participarem neste protesto manifestando o seu repúdio pelo projeto de lei do Governo territorial, liderado por Carrie Lam, que a ser aprovado permitirá extradições para a China continental. Segundo dados oficiais da polícia, citadas pelo site Hong Kong Free Press, o número de manifestantes ficou-se pelos 270 mil.

Jovens e famílias dominavam a multidão que chegou a preencher por completo o percurso entre o Parque Vitória, ponto de partida da marcha, até à sede do Governo, ao longo de cerca de dois quilómetros, relata o The New York Times.

As alterações à lei da extradição, que muitos críticos afirmam colocar a população à mercê de um sistema judicial chinês opaco e politizado, motivou, em abril, a maior manifestação em Hong Kong desde o "Movimento dos Guarda-chuvas", em 2014. Segundo a polícia, foram 20 mil os participantes desses protestos.

Em análise no parlamento local, a aprovação do projeto viria alterar o alterar o atual sistema jurídico vigente em Hong Kong, diferente do da China, em virtude do princípio "um país, dois sistemas".

Além dos protestos nas ruas, esta iniciativa legislativa preocupa também os empresários, que temem que afete a atratividade do mercado financeiro da ilha.

O plano do executivo chinês também já foi criticado pelo último governador de Hong Kong, o britânico Chris Patten, que disse na semana passada que se trata de um "terrível revés" para a reputação daquele território.

"Esta proposta inflige um terrível golpe no Estado de Direito, na estabilidade e segurança de Hong Kong e no seu estatuto de importante centro de comércio internacional", disse Pattern, governador de Hong Kong até 1997, quando a administração passou para a China.

A fórmula 'um país, dois sistemas' serviu para a integração de Hong Kong e Macau na República Popular da China, em 1997 e em 1999, respetivamente, com o estatuto de regiões administrativas especiais, e garante que as políticas socialistas em vigor no resto da China não se aplicam nos territórios, que gozam de "um alto grau de autonomia", à exceção da Defesa e das Relações Externas, que são da competência exclusiva do Governo Central chinês.

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