Um em cada três trabalhadores em Macau é licenciado

Um em cada três trabalhadores em Macau é licenciado

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Um em cada três trabalhadores em Macau tem formação superior. Em 20 anos, desde a transferência do exercício da soberania de Macau de Portugal para a China, a proporção de trabalhadores que possui grau académico entre a população ativa passou de 11,06 por cento para 36,43, em 2018. Os dados são da Direção dos Serviços do Ensino Superior do território, num comunicado distribuído às redações.

O documento, intitulado "Agarrar oportunidades e andar de mãos dadas - O desenvolvimento do ensino superior de Macau após o restabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)", indica que no período, a taxa de continuação de estudos no ensino superior, entre os estudantes que concluem o ensino secundário complementar, passou dos cerca de 70 por cento para mais de 90 por cento.

Os serviços lembram que, na atualidade, existem 10 instituições de ensino superior no território, só mais três quando comparado com o início da RAEM, mas ressalvam que "na realidade a dimensão geral do ensino superior multiplicou-se".

E justificam: No ano letivo de 2018/2019 as instituições de ensino superior do território contam com 2.931 docentes e investigadores, 34.279 estudantes e 280 cursos.

Estes valores indicam que o número de cursos aumentou no período em cerca de 50 por cento, enquanto o número de docentes, investigadores e alunos quase triplicou.

Se a avaliação recair sobre a capacidade de atração de alunos estrangeiros para frequentarem estabelecimentos de ensino superior locais, esse número subiu de 5.653 para 17.992, mais do que triplicou.

Macau conseguiu igualmente atrair docentes e investigadores provenientes de diferentes países ou regiões, cuja presença, num contexto cultural diversificado e no ambiente académico local, "tem contribuído para criar um ambiente académico mais liberal e aberto", apontam os serviços.

No documento, os serviços recordam a aprovação do regime de avaliação da qualidade do ensino superior e a recente adesão a organismos internacionais que monitorizam essa área - International Network for Quality Assurance Agencies in Higher Education (INQAAHE), Asia Pacific Quality Network (APQN) e Organização Internacional para a Garantia da Qualidade do Ensino Superior (CIQG) do Council for Higher Education Accreditation (CHEA) - como prova da preocupação das autoridades no aumento constante da qualidade neste grau de ensino.

E avançam com alguns exemplos: A Universidade de Macau ocupa atualmente o 60.º lugar no Young University Rankings da Times Higher Education, a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau fixou-se, em 2018, no 21.º lugar no Ranking das Universidades do Interior da China, Taiwan, Regiões de Hong Kong e Macau e, entre as instituições de ensino superior avaliadas, a área de Gestão de Hospitalidade e Lazer, do Instituto de Formação Turística, ocupou o quinto lugar na Ásia e o terceiro a nível mundial.

Além disso, no ano letivo de 2017/2018, 29 cursos do ensino superior obtiveram acreditação pelo Acordo de Washington, Acordo de Seul, Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas, Association of Chartered Certified Accountants (ACCA), entre outras instituições profissionais internacionais ou regionais.

A direção de serviços salienta ainda a aposta na criação de equipas de docentes e investigadores, lembrando que a proporção dos docentes doutorados presentes nestes grupos passou, nos últimos 20 anos, de 15 por cento para 64 por cento, mais do que triplicando.

Os serviços esclarecem que o número dos artigos publicados anualmente pelos docentes e investigadores das instituições de Macau nas principais revistas internacionais, passou nos últimos seis anos de 726, no ano letivo de 2011/2012, para 3.712 em 2017/2018, quintuplicou.

No ano letivo de 2017/2018 realizou-se em Macau, em média, uma atividade académica internacional por semana. Ao todo aconteceram 58 seminários internacionais, fóruns e conferências académicas.

Por último, a direção de serviços destaca o programa de financiamento para o desenvolvimento profissional do pessoal docente e de investigação das instituições de ensino superior de Macau, lançado em 2013, indicando que 172 docentes e investigadores receberam desde então financiamentos para trabalhos no Interior da China, Portugal, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Singapura e Austrália.

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