Tratamento da sida continua a falhar em África e na Ásia

Tratamento da sida continua a falhar em África e na Ásia

Agência Brasil

Vários países africanos e asiáticos continuam a não recorrer às melhores práticas no combate para neutralizar os efeitos do Vírus da Imunodeficiência Humana e as mortes de pessoas com sida. Assim, será muito difícil o patamar estabelecido pela Organização Mundial de Saúde de menos de 500 mil mortes por sida já em 2020

Em 2018 quase 770 mil pessoas portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV, em inglês), entre as quais cem mil crianças, morreram com sida, revela um relatório da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgado neste domingo.

Este número representa um ligeiro recuo face a 2017, quando perderam a vida 800 mil pessoas, indica o documento dos MSF, intitulado No Time to Lose (Sem Tempo a Perder), que analisa a situação em 15 países da África e da Ásia.

Como destaca o relatório, mais de três décadas após ter sido identificada a epidemia do VIH, cerca de um milhão de pessoas atingidas por este vírus continuam todos os anos a perder a vida de doenças evitáveis ​​e tratáveis.

A divulgação do relatório coincide com o Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que se assinalou ontem, 1 de dezembro.

O relatório explicita que é em países como a África do Sul, Moçambique, Quénia, República Democrática do Congo (RDC) e Malawi que se verificam as mais elevadas taxas de mortalidade. Assim, os MSF registaram em 2018 cerca de 71 mil mortes na África do Sul, seguidas por 54 mil em Moçambique, 25 mil no Quénia, 17 mil na RDC e 13 mil no Malauí.

Falhas imunológicas graves

A entidade das Nações Unidas que acompanha esta questão (a UNAIDS) tem defendido, segundo o mesmo relatório, que para se reduzir para o patamar de menos de 500 mil vítimas mortais devido à sida, valor a atingir já em 2020, terão de se verificar menos 135 mil óbitos quer no corrente ano quer no próximo.

Uma meta que se estima difícil de atingir, atendendo aos valores elevados de mortalidade que continuam a verificar-se. Assim, como já referido, em 2018 o número total de mortes reduziu-se em apenas 30 mil face ao ano anterior. E testes clínicos a nível mundial mostram que, pelo menos, 33% das pessoas que testam positivo para o HIV iniciam o tratamento com uma contagem de CD4 assustadoramente baixa (abaixo de 200 células / mm³) - valor que testemunha uma falha imunológica grave e elevado risco de morte.

A principal causa desta situação é o facto de a maioria dos países avaliados pelos MSF não estarem suficientemente preparados para identificar e tratar casos de sida em estádios avançados de desenvolvimento.

O relatório responsabiliza ainda a maioria dos governos pela lentidão na concretização de políticas já definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2017.

Entre a vida e a morte

O documento dos MSF destaca, em particular, o recurso ainda pouco generalizado a testes instantâneos que permitiriam a deteção das chamadas infeções oportunistas, como tuberculose e a meningite. Com o resultado destes testes a serem conhecidos no espaço de poucas horas e a proximidade com os doentes representam um importante ganho de dias que podem fazer a diferença entre a vida e a morte para muitos, lê-se no texto de apresentação de No Time to Lose.

No mesmo texto é denunciada a inexistência daquele tipo de testes rápidos ao nível das comunidades locais, ao passo que salientado que nas situações em que é possível recorrer aos testes instantâneos, os níveis de mortalidade nos hospitais recua de forma significativa. Exemplo disso é o da localidade de Nsanje, no Malawi, onde a generalização daquele tipo de testes levou a uma redução de 27% de mortes em hospital devido a sida para menos de 15%.

Finalmente, o relatório constata que em apenas oito dos 15 países analisados está generalizado o uso dos testes instantâneos para doentes com HIV.

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