Redes da nova economia azul

A conferência Plataforma Azul criou laços entre cidades, academia e media em torno de uma perspetiva sustentável para o desenvolvimento da economia do mar. A China, Macau e os Países de Língua Portuguesa são atores chave.

Impulsionar a economia do mar através da criação de redes de cidades, conhecimentos e media entre Macau e os países de língua portuguesa foi o tema fulcral da iniciativa Plataforma Azul: A nova economia, uma organização do PLATAFORMA e a Câmara Municipal de Gaia que decorreu nos dias 20 e 21 de setembro e que reuniu um conjunto de especialistas de Portugal, China e Macau. A economia azul "não é fruto da moda", é uma matéria "em que começa a ser urgente integrar contributos para a estratégia municipal, mas é pelas redes que se criam que somos capazes de ir mais longe" e, aí, "precisamos que todos façam a sua parte no contexto macro e micro para remarmos todos para o mesmo objetivo", sublinhou na abertura Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da autarquia de Gaia, no discurso de boas-vindas.

Num contexto lusófono e global, Macau quer afirmar-se como porta de entrada entre a China e os países de língua portuguesa. Rafael Gama, assessor do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura da Região Administrativa Especial de Macau, recordou que o território macaense integra, assim como Hong Kong, a Grande Baía de Guangdong, que "em 2030 quer ser a zona de baía mais competitiva do mundo". E, neste campeonato, "Macau é uma oportunidade para desempenhar um papel de plataforma do mundo lusófono para a China", potenciando um conjunto infinito de relacionamentos, desde económicos, culturais e académicos.

A criação de redes de cidades, conhecimento e media emergem neste contexto como chave para alicerçar esta dinâmica. "Quando lançámos o tema em Macau, a adesão de todos esclareceu-me que de imediato acertámos no mesmo. Estou espantado com a geração dos meus filhos, têm uma consciência ecológica maior do que a minha, sobretudo com a consciência do problema, do sentido e da urgência. Penso que há um trabalho nas escolas, o que me leva a crer que há um também um compromisso político", referiu Paulo Rego administrador do Plataforma Macau na sessão de abertura.

O conceito de redes de cidades é abraçado também pela Galiza. Maria Ferreira Costa, directora geral de qualidade ambiental e alterações climáticas da Junta da Galiza (Governo regional) partilhou com uma audiência composta por especialistas, empresários, jornalistas e muitos jovens estudantes os desafios enfrentados pela zona do noroeste de Espanha em virtude do aquecimento global. Ficou a ideia chave que a cooperação inter-regional é fundamental a par do esforço global para combater as alterações climáticas e promover a sustentabilidade.

Em Portugal o arquipélago dos Açores surge com uma centralidade especial na discussão em torno da economia azul. Filipe Porteiro, Diretor Regional dos Assuntos do Mar do Governo Regional dos Açores destacou o objetivo de até 2021: que 15 por cento do oceano dos Açores esteja carimbado com o estatuto de área marinha protegida.

A importância do conhecimento científico aliado à sustentabilidade dos oceanos foi o foco da intervenção do contra almirante Carlos Ventura Soares, diretor geral do Instituto Hidrográfico da Marinha.

"O mar é um espaço de soberania, de jurisdição dos estados ribeirinhos. Há uma área substancial do Atlântico que é da nossa responsabilidade, de nós, portugueses. Cabe-nos a nós que essa área seja bem gerida, no interesse dos portugueses mas também da comunidade internacional, de todo o planeta. É também um espaço de afirmação de poder e um meio de transferência de bens. 90 por cento do comércio mundial é feito por mar", sublinhou o responsável.

Da China vieram dois académicos que trouxeram uma perspectiva geopolítica sobre a abordagem chinesa da economia azul. Hu Zhiyong, Professor do Instituto de Estudos de Relações Internacionais, da Academia de Ciências Sociais de Xangai sublinhou que a estratégia marítima de Pequim, no âmbito da Iniciativa Faixa e Rota, "não é buscar a supremacia absoluta, já que o objetivo passa por manter a soberania territorial e, ao mesmo tempo, garantir a segurança das rotas marítimas". Hu olha para a Iniciativa Faixa e Rota como "um canal de cooperação económica, que pode contribuir para aliviar a tensão entre os países envolvidos e para promover a construção de um destino comum para a Humanidade".

A investigadora da Universidade da Cidade de Macau Shi Shuxian abordou um ângulo mais específico da cooperação sino-lusófona - a relação entre a China, nomeadamente a zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e países insulares de língua portuguesa, designadamente Timor-Leste, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde .

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