Premium "Passámos frio e fome, mas tínhamos de jogar": o negócio ilegal do futebol português

Thiberi Ramu veio da África do Sul para mostrar os dotes futebolísticos. Acabou num clube dos distritais

Thiberi Ramu veio da África do Sul para mostrar os dotes futebolísticos. Acabou num clube dos distritais do Alentejo a dormir no chão de um quarto com mais atletas e a ter duas refeições por dia.

Vêm da América do Sul ou de África, sem visto de trabalho. As famílias pagam até cinco mil euros para os filhos serem colocados em clubes onde são obrigados a jogar. Mesmo doentes, mal alimentados ou a dormir no chão.

"Ficávamos todos num quarto, em beliches, e no inverno ficava mesmo muito frio. À noite não conseguíamos aquecer, alguns ficavam doentes, mas mesmo assim tínhamos de jogar, era um pesadelo. Só comíamos duas refeições por dia, ao meio-dia e à meia-noite." Esta é uma parte da história de Thibedi Ramu, um jovem sul-africano que em 2014 chegou a Portugal com o sonho de se transformar numa estrela do futebol. A experiência não correu bem, prometeram-lhe que iria mostrar as suas qualidades num clube da I ou II Liga, mas acabou por ser colocado no Estrela de Portalegre, onde durante um ano andou pela I Divisão Distrital.

Foi o choque com uma realidade e um negócio que está a aumentar em Portugal e em que existe uma vítima e dois vencedores: o jovem atleta a quem são prometidos contratos que nunca se concretizam; o angariador e o clube que recebem dinheiro da família do aspirante a futebolista que chega a Portugal, normalmente vindo do Brasil, Argentina ou de países africanos, com o visto de curta duração (mais conhecido como de turismo e que não permite a assinatura de contratos de trabalho) e que, passados 90 dias, fica ilegal, pois não consegue um contrato e acaba, por norma, por ser abandonado pelo empresário.

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