Papa chega a Moçambique em clima de resistência e reconstrução

É a primeira etapa da viagem do Papa Francisco a África que terá lugar de 4 a 10 de setembro. O país luta para recomeçar depois dos prejuízos causados pelos recentes ciclones e no plano político, reinicia uma nova fase histórica depois de décadas de guerra civil.

Numa antevisão desta jornada, o site Notícias do Vaticano com Irmã Rita que vive há dez anos em Moçambique e traça um quadro de um país que vive entre a esperança do fim de um conflito político que gerou ondas de violência e a reconstrução de boa parte do território devastado pela fúria de dois ciclones.

"Espero que este acordo de paz que foi assinado chegue realmente onde estão os conflitos. Na província de Capo Delgado ocorreram violações muito sérias, pessoas que perderam a vida... Por outro lado, Moçambique é um país muito rico em recursos, também por este motivo resta sempre um conflito de base". Este é o comentário da Irmã Rita Zaninelli, que vive há dez anos no país, e depois de ter morado no norte, na província de Nampula, transferiu-se há alguns meses para a Beira, por causa da emergência dos furacões.

Irmã Rita dedicou-se por muito tempo no âmbito da Comissão Justiça e Paz da diocese de Nampula: "Estávamos muito envolvidos no contraste à apropriação de terras, tráfico de pessoas e violência familiar" conta a Irmã. "Semeou-se, procurando fazer principalmente um trabalho de base nas comunidades, estando próximos às pessoas na partilha dos valores da paz da justiça. Acredito que outros poderão recolher os frutos".

"Os representantes eclesiais estão todos mobilizados - explica Irmã Rita - e percebe-se nas comunidades uma importante tomada de consciência desta visita". A religiosa não esconde uma certa amargura por não poder vê-lo em Beira: "Eu esperava que viesse para cá, sonhamos um pouco que viria visitar este povo tão sofrido... Porém, espero que deixe uma mensagem de esperança, de paz e reconciliação para os que realmente precisam".

Irmã Rita impressiona-se pela força das mulheres moçambicanas: "Muitas delas não têm mais marido, o companheiro com o qual tiveram seus filhos. Diante da devastação procuraram e procuram todos os meios para conseguir o pão de cada dia e uma vida mais digna para seus filhos". De modo geral a cidade está dando provas de uma grande resiliência: "Quando chove e entra-se nos bairros mais pobres, a situação é mais triste, dramática, mas o caráter dos moçambicanos exprime-se em toda a sua peculiaridade. Resiste-se, procura-se reconstruir, recomeçar".

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