Ministro da Agricultura guineense está disposto a colaborar com a justiça

Nicolau Santos, ministro da Agricultura da Guiné-Bissau

Nicolau Santos, ministro da Agricultura da Guiné-Bissau

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Polícia Judiciária da Guiné-Bissau deu ordem de detenção ao Ministro da Agricultura, Nicolau Santos, na manhã desta quinta-feira. A diligência surgiu após a apreensão, no início da semana, de 36 toneladas de arroz numa quinta do governante.

"O ministro está disposto a colaborar com a justiça, porque o que se pretende é a busca da verdade material. Agora a forma desnecessária, brutal e despótica adotada pela PJ é que me choca", afirmou Emílio Mendes, advogado do ministro da Agricultura da Guiné-Bissau, Nicolau dos Santos.

A Polícia Judiciária (PJ) da Guiné-Bissau tentou deter o ministro da Agricultura na manhã desta quinta-feira, 11 de abril, no âmbito do caso "Arroz do Povo", num momento marcado por alguma tensão, tendo sido impedida pelos seguranças do governante.

O ministro Nicolau dos Santos foi ouvido esta manhã por elementos da PJ durante mais de duas horas, no seu gabinete no ministério, tendo a polícia dado ordem de detenção.

Perante a ordem policial, seguranças do governante tentaram impedir a detenção e arrastaram o ministro para uma outra sala, onde se barricaram. Nicolau dos Santos tentou resistir à iniciativa dos seus seguranças, dizendo: "Eu vou, eu vou".

Registaram-se confrontos entre elementos da PJ e seguranças do ministério, e um jornalista guineense foi agredido.

A PJ acabou por abandonar o Palácio do Governo ao final da manhã, e o ministro também saiu entretanto do ministério.

A Lusa tentou obter mais informações junto da PJ, mas sem sucesso.

Segundo fonte da PJ, a diligência de hoje estava relacionada com o processo "Arroz do Povo", relativo a arroz doado pela China e que alegadamente estaria a ser preparado para ser vendido no mercado.

No início desta semana, a PJ apreendeu 36 toneladas de arroz numa quinta do ministro da Agricultura.

Até agora, a operação desencadeada pela PJ guineense no início deste mês já levou à apreensão de pelo menos 136 toneladas daquele alimento, base alimentar dos guineenses.

Além da apreensão feita na segunda-feira na quinta do ministro da Agricultura, a PJ já tinha apreendido outras tantas toneladas de arroz em armazéns em Bafatá alegadamente propriedade da empresa Cuba Lda, cujo dono é Botche Candé, antigo ministro do Interior do país.

Na quinta-feira passada, 4 de abril, após a primeira apreensão de arroz ter sido tornada pública, o ministro da Agricultura esclareceu que os armazéns onde se encontrava o arroz apreendido em Bafatá foram alugados pelo Governo e que o donativo doado pela China não tinha sido desviado.

Num comunicado divulgado à imprensa no mesmo dia, o primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, que se encontrava em Washington, pediu à PJ para "prosseguir o inquérito visando situar as responsabilidades no descaminho verificado na distribuição do arroz doado pela República Popular da China".

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