Máscaras, álcool-gel e alguns desinfetantes começam a esgotar em Portugal

Máscaras, álcool-gel e alguns desinfetantes começam a esgotar em Portugal

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Produtos de proteção pessoal e cuidado médico começam a escassear e o problema não é apenas nas grandes cidades.

Com o aumento de casos em Itália e, principalmente, em Espanha, os portugueses começam a mostrar sinais de alarme com o Covid-19. Máscaras de proteção, álcool-gel para as mãos e alguns desinfetantes já começam a escassear das prateleiras de supermercados, lojas de bricolagem e farmácias.

Apesar dos diversos casos suspeitos em Portugal, nenhum, até ao momento, deu positivo para o novo coronavírus. Mas isso não é suficiente para que a população se mantenha calma. Os produtos de proteção têm tido uma procura fora do normal, como explica ao Plataforma Media a farmacêutica Ana Isabel Farinha, diretora-técnica de uma farmácia em Santiago da Guarda, zona de Ansião, no centro do país. "A procura de máscaras por aqui tem sido maior que o habitual, mas baixa. As pessoas têm estado serenas", começou por explicar. "As máscaras têm estado esgotadas nas farmácias principalmente nos grandes centros urbanos, devido à grande procura e à falta de capacidade de fornecimento por parte das empresas que as produzem. Nota-se sim, um aumento da procura de álcool."

Contudo, a farmacêutica também admite que tem sido difícil repor stocks. "Nós também não as temos conseguido adquirir, mas temos algumas porque nos antecipámos", explica, dizendo que adotaram um sistema de venda na sua farmácia. "Aquelas que temos, só vendemos cinco por pessoa."

Ana Isabel Farinha revela ainda que teve informação que o Estado português pediu contenção às empresas que representam e distribuem essas máscaras às farmácias. "É para a eventualidade de elas serem necessárias para uma requisição civil."

Máscaras a preços justos

Em Sacavém, às portas de Lisboa, a Farmácia Cortes depara-se com um cenário diferente daquele que se vive em Ansião. A braços com ruturas de stock, os produtos estão simplesmente esgotados ou aparecem a conta-gotas. Ana Filipa Caldas, farmacêutica substituta, disse ao Plataforma que "o gel desinfetante está esgotado há imenso tempo". "Atrevo-me a dizer que há mais de um mês. Conseguimos apenas umas embalagens pequenas de 30ml, em spray e em stock muito limitado. Não conseguimos mais de 10."

Já em relação às máscaras, estas encontram-se esgotadas há alguns dias. "Ainda tínhamos stock de uma encomenda que tínhamos feito há duas semanas. Iam-se vendendo com alguma regularidade, mas em poucas quantidades. Muitos chineses a quererem comprar porque querem enviar para a China", revelou Ana Filipa Caldas.

E a situação piorou nos últimos dias. "Desde que deu uma reportagem na televisão antes de ontem, tem sido uma loucura à procura de máscaras. Se disser que em dois dias vendi mais de 800 máscaras, não estou a mentir", concluiu, revelando de seguida que a farmácia já tentou fazer uma nova encomenda, em vão. "Já tentámos fazer nova encomenda, mas todos os distribuidores dizem que estão esgotadas"

Sem puxar a brasa à sua sardinha, a farmacêutica substituta deixou escapar que sabe de casos de "pessoas que pagaram quatro euros por uma máscara". "Nós estamos a fazer um preço justo. Pegamos na caixa e como vendemos à unidade, dividimos o preço. Por isso fica a 20 cêntimos cada."

Álcool etílico também começa a falhar

Também uma cliente, que passou por uma farmácia na Avenida de Roma, em Lisboa, não conseguiu adquirir máscaras de proteção. "Enquanto esperava na fila, já tinha ouvido que as máscaras estavam esgotadas, mas esperei a minha vez para confirmar e é um facto, estão esgotadas", disse Ester Amaro ao Plataforma, que revelou que a farmacêutica que a atendeu confidenciou-lhe que "não era normal reservar este tipo de produto, pois raramente tem procura". Naquela farmácia, Ester acabou por trazer consigo apenas duas pequenas embalagens de álcool-gel.

Dirigiu-se a outra farmácia no Lumiar, também na capital, e lá nem máscaras e nem gel para as mãos. A empregada revelou que "são produtos que são feitos, por norma, na China e agora não tem havido mais". "As que tínhamos compraram tudo e tivemos clientes que compraram, inclusive, para enviar para a China, porque, diziam eles, começava a escassear por lá."

Ester Amaro ainda foi a uma grande superfície comercial à procura de álcool-gel, mas não encontrou vestígios do produto e "o álcool etílico de uso para cuidados médicos também já estava esgotado" como mostra a fotografia abaixo.

Prateleira da zona de produtos de cuidados médicos de uma superfície comercial já não tem álcool etílico

Prateleira da zona de produtos de cuidados médicos de uma superfície comercial já não tem álcool etílico

  |  Ester Amaro

Também em diversos sites de venda online os produtos de proteção pessoal estão esgotados. "A Farmácia, tudo o que precisa" é o lema de um dos locais onde, de facto, não vamos conseguir encontrar tudo o que precisamos. Máscaras 3M, caixa com cinco unidades, estão esgotadas, com o cliente a ser convidado a colocar o seu correio electrónico de contacto para ser avisado quando houver novamente stock.

Máscaras, álcool-gel e alguns desinfetantes começam a esgotar em Portugal

"Não tenho medo do coronavírus"

A afirmação é da farmacêutica Ana Teixeira, que trabalha na Farmácia Teles em Lisboa. "Temos tido formações e acesso a protocolos que nos têm ajudado a ficar preparados", afirmou ao Plataforma. "Claro que não ter medo, não significa que vá descartar a minha segurança. Nada disso. Usarei máscara quando terei de o fazer, lavarei as mãos várias vezes e terei os cuidados necessários."

A Farmácia Teles é mais uma das farmácias portuguesas que começa a ter rutura de stocks no que a máscaras e a álcool-gel diz respeito. "Tem sido muito difícil encontrar produtos. Temos tentado comprar por diversas vias e vamos tempo, mas esgotam logo mal chegam. Aliás, estamos à espera que cheguem cerca de 500 máscaras, mas já estão quase todas reservadas", revelou Ana Teixeira.

O álcool-gel também está esgotado, mas esse produto é mais complicado de repor. "Completamente esgotado e não conseguimos encontrar fornecedores que nos possam garantir produto", explicou a farmacêutica, revelando que quem mais procura este tipo de produtos são os mais velhos, a partir dos 55 anos, ou então os jovens dos 20 aos 35 anos que querem viajar.

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