Macau tem de apostar mais nas políticas sustentáveis

Macau tem de apostar mais nas políticas sustentáveis

A ambientalista Annie Lao voltou a eleger a "fraca reciclagem" que se faz em Macau como uma das áreas críticas do combate ambiental da cidade. A ativista falava num dos painéis "Economia Azul e Uma Faixa, Uma Rota, uma visão sustentável", integrado no 5.º aniversário do semanário PLATAFORMA.

Lembrando que o Governo local já tomou algumas medidas para desincentivar o uso do plástico - a ativista foi a responsável pelo lançamento de um abaixo-assinado contra o uso excessivo de diferentes tipos de plástico no território -, Lao desafiou as autoridades e a população a "fazerem muito mais" pelo ambiente "para tornar a cidade sustentável" no futuro.

"As pessoas, por exemplo, ainda não sabem como reciclar. Têm de ser sensibilizadas. De perceber o que é reciclável e como se faz. É importante haver essa interação", disse.

Assinalou ainda que a questão do plástico não se coloca apenas "em terra", nos meios urbanos, mas que este é responsável "pelas microplásticos" que se encontram, por exemplo, nas águas do mar.

"Macau não pode estar e ficar alheada desta discussão e tarefa de retirar o plástico dos oceanos", atirou.

António Trindade, CEO da empresa CESL Asia, deixou críticas à gestão ambiental das autoridades locais, nomeadamente em matéria de resíduos sólidos, reciclagem e poluição do ar e das águas.

O empresário elogiou ainda o "plano fantástico" que representa a Grande Baía, considerando-o "muito bem concebido, profissional, um trabalho de excelência".

"É uma fantástica oportunidade para Macau estar integrado na Grande Baía", mas é igualmente um "enorme desafio para a região, as autoridades e a população da cidade", concluiu, sem perder de vista "o papel destinado a Macau como plataforma na ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa".

Hu Zhiyong, do Instituto de Estudos Internacionais da Academia de Ciências Sociais de Xangai, defendeu que no domínio da sustentabilidade e da economia azul, o plano da Grande Baía tem "muitas áreas para trabalhar", como por exemplo " a engenharia naval, a pesca, as indústrias emergentes, a medicina e a biologia marinhas".

Para o académico, as cidades da Grande Baía (nove pertencentes à província de Guangdong, mais Macau e Hong Kong) devem "focar-se e priorizar um desenvolvimento sustentável", onde as comunicações, entre si, o com exterior terão um "papel central".

Para o arquiteto Rui Leão, Rui Leão, coordenador da Comissão de Ambiente, Cidades e Territórios da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, "o aquecimento global, o desgaste do planeta, a subida águas" vão obrigar decisores, gestores e populações "a pensar nas cidades do futuro, e em particular nas regiões marítimas".

Para o especialista, "as cidades estão impreparadas para lidar com esta situação" e serão "muito afetadas" por estes fenómenos.

"É fundamental uma mudança de paradigma, mais políticas, mais discussão à volta do que é a economia azul, a sustentabilidade, a energia alternativa, a economia verde. É preciso responsabilizar pessoas e principalmente instituições, empresas, os motores da economia e da riqueza. As cidades que de política soft, de gestão pública mais fraca vão ter mais dificuldades em jogar com esta adaptação e perder a capacidade de estar na frente e inovar", concluiu.

O pubslisher do PLATAFORMA MACAU lembrou que a economia azul está hoje no centro estratégico dos Países de Língua Portuguesa (PLP), um tema abordado na mnior parte do planeta.

"Todos esses países [PLP] têm mar. O português é a única língua que está nos sete mares. Do ponto de vista geoestratégico a China percebeu essa questão. Macau enquanto plataformas para a China PLP, pelo mar, atinge a totalidade desses países e cria um mar de oportunidades. É uma ambição, uma obrigação e uma oportunidade colar a Grande Baía com a Lusofonia. Queremos que Macau descubra o papel na economia azul", concluiu.

No final do encontro procedeu-se à passagem simbólica do conceito da Conferência Plataforma Azul para Gaia, próximo palco do evento, já em setembro próximo.

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