Luaty Beirão participa em campanha pelo "direito a existir"

Cerca de quatro em cada dez pessoas em Angola não tem registo de nascimento. O ativista angolano juntou-se à Associação Handeka na produção de um documentário onde estão espelhadas as dificuldades de quem não existe para o Estado.

"Onze milhões de pessoas sem registo, são pessoas que não existem sem direito a nome, nacionalidade, não podem abrir conta no banco, não têm país, só podem estudar até a Sexta classe, não pode ter escritura de casa ou terreno, não pode sequer registar os seus próprios filhos e nem sequer pode morrer", indicou Alexandra Simeao, a presidente da associação responsável pela campanha "Sem Registo, não existo".

Um dos propósitos desta associação foi dar rosto aos números e para tal produziu um documentário que apresentou a semana passada em Luanda. Um dos membros da equipa foi o ativista Luaty Beirão que, na sua página de facebook, explicou a importância do registo de todas as pessoas.

"Esforçámo-nos por resumir, com um punhado de depoimentos recolhidos em 4 províncias, a complexidade do problema que enfrentamos, com o ensejo de produzir não só a indignação, mas ideias que possam crescer para soluções, na atribuição do primeiro direito de qualquer cidadão (depois da vida): o direito à identidade, o direito a existir e ser reconhecido."

Alexandra Simeão, presidente da organização não governamental Handeka, diz que, para além das dificuldades em conseguir emprego e no acesso à educação, quem não tem registo enfrenta muitos outros problemas no dia a dia: "Não pode casar, não pode abrir uma conta bancária, não pode fazer a escritura de uma casa ou de um terreno, não pode ter o registo de uma mota ou de um carro, não pode viajar de avião, não pode registar os próprios filhos."

"No limite, nem sequer pode ser enterrado no cemitério porque não tem Bilhete de Identidade. A pessoa não existe" para o Estado, acrescenta Simeão.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Relacionadas

Exclusivos