Tráfico humano ainda é um grande problema em Macau, diz jornal de Hong Kong

Tráfico humano ainda é um grande problema em Macau, diz jornal de Hong Kong

South China Morning Post escalpeliza relatório do Departamento de Estado dos EUA sobre "os padrões mínimos" na luta contra o tráfico de pessoas e descobre, in loco, o negócio das saunas e clubes noturnos do território.

Depois dos EUA terem exposto o problema no seu último relatório do Departamento do Estado sobre tráfico humano, colocando Macau em maus lençóis, considerando que o território não cumpre os "padrões mínimos" exigidos, uma investigação conduzida pelo South China Morning Post (SCMP) descobriu redes de prostituição pertencentes a casinos a operar na cidade.

Refere a reportagem do This Week in Asia que "centenas de jovens do sudoeste da China continental são atraídas para os casinos com a promessa de empregos como modelos ou empregadas de mesa" descobrem que, afinal, a realidade das suas vindas para Macau é completamente diferente daquilo que lhes havia sido prometido, acabando por ficar, sem forma de fugir a essa realidade, entregues a uma vida de prostituição.

A verdade é que a prostituição é legal em Macau e sempre esteve intimamente ligada ao jogo. Contudo, a lei proíbe que haja uma organização por detrás dessa prostituição, proibindo o lucro comercial do fenómeno, promovendo penas até oito anos de prisão.

No que parece ser uma clara contradição da lei, os repórteres do SCMP deslocaram-se recentemente a Macau e visitaram oito das centenas de saunas da cidade para provar que as redes de prostituição continuam bem ativas no território, único lugar onde o jogo é permitido na China.

Não obstante, e apesar da descoberta de uma importante rede de prostituição no Hotel Lisboa em 2014, envolvend Alan Ho, sobrinho do magnata de jogo Stanley Ho, o problema continua latente na cidade. Nem o discurso do presidente chinês, Xi Jinping, aquando do 15.º aniversário do retorno de Macau ao domínio chinês, que pediu "um ambiente mais familiar" para Macau parece ter mudado o paradigma mais vermelho da cidade.

A título de exemplo, no "Endearing" no Galaxy ou no "Wang Fu" no Star World os funcionários nogociaram a "libertação" de uma trabalhadora para sexo por 6.800 Hong Kong dólares. Também em clubes noturnos operados pelo grupo Emperor, empresa listada na bolsa de valores de Hong Kong, se descobriu atividade semelhante.

A investigação ocorre num momento crucial para a indústria do jogo no antigo enclave português, que marca o 20.º aniversário do seu retorno ao domínio chinês em dezembro, enquanto os concessionários de casinos esperam que as suas licenças sejam renovadas ou revogadas, durante o próximo ano.

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