Um mundo de desafios em língua portuguesa

O novo ano começa com um novo inquilino no Palácio do Planalto em Brasília e será marcado por eleições gerais em pelo menos três países lusófonos. Oscilações no preço do petróleo e incerteza económica são outros factores importantes para a geo-economia da Lusofonia.

Portugal

O ano político viverá em torno de duas eleições importantes. A votação para o Parlamento Europeu, em de maio, e as legislativas marcadas para de outubro.

Com as contas públicas quase equilibradas e algum crescimento económico, os ventos parecem favoráveis ao primeiro-ministro, António Costa, não se sabendo se a "Geringonça" (Governo PS com apoio parlamentar do PCP e BE) vai continuar.

A perspectiva de um abrandamento da economia internacional e aumento da contestação social são obstáculos no caminho de Costa.

Brasil

2019 é o ano do início da era Jair Bolsonaro. O recém-empossado presidente do Brasil tem pela frente um sem número de desafios ao nível da segurança pública, recuperação económica e combate à corrupção.

No plano internacional, Bolsonaro deverá dar passos numa realinhamento com os Estados Unidos e Israel, no ano em que o Brasil assume a presidência rotativa do bloco BRICS (Brasil, Rússia, China e África do Sul), acolhendo a cimeira de chefes de Estado.

Cabo Verde

A UNESCO deverá decidir sobre a candidatura da morna para fazer parte da lista representativa do património cultural imaterial.

O ano novo marca ainda o início da entrada de cidadãos europeus em Cabo Verde sem a necessidade de um visto.

No desporto, Cabo Verde vai organizar os primeiros Jogos Africanos de Praia, o maior evento desportivo alguma vez realizado no país.

São Tomé e Príncipe

Será um teste à coesão dos partidos que formam o governo, num momento de crise económica e de vários problemas de tesouraria do Estado são-tomense.

O governo tem liquidez para apenas três meses de importações, há parceiros internacionais a exigir mudanças políticas e o processo de substituição das estruturas do Estado ainda não está concluído.

Angola

A prioridade vai para a recuperação e diversificação económicas, embora continue a pairar o "fantasma" de uma evolução negativa nos preços do petróleo nos mercados internacionais.

O presidente João Lourenço espera recolher os dividendos da "diplomacia económica" de 2018, em que garantiu mais de 6.000 milhões de dólares oriundos da China e do Fundo Monetário Internacional (FMI), além de outras promessas de investimento direto.

Guiné-Bissau

Ano de eleições decisivas. Já no primeiro trimestre, a 10 de março, as legislativas com as presidenciais a terem lugar em meados de 2019.

O atual chefe de Estado, José Mário Vaz, termina o mandato em junho e ainda não anunciou se vai recandidatar-se para o cargo.

A crise económica e a necessidade de reformas estruturais são dois dos desafios do futuro governo.

Moçambique

As eleições gerais marcadas para 15 de outubro deverão ser o derradeiro teste ao processo de paz em curso no país.

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, vai levar o seu líder e Presidente da República, Filipe Nyusi, a candidatar-se a um segundo mandato.

Este ano a petrolífera Anadarko prevê anunciar a decisão final de investimento para exploração de gás natural na Área 01 do norte de Moçambique.

Timor Leste

Após dois anos de grande tensão e intensidade política, Timor-Leste entra em 2019 com dúvidas sobre durante quanto tempo vai ainda viver com duodécimos.

Com orçamento aprovado, mas não promulgado pelo presidente, o cenário político poderá complicar-se significativamente, podendo obrigar novamente a eleições.

Em 2019 passam 20 anos sobre o histórico referendo em que a ampla maioria escolheu a independência (a 20 de agosto) e o 30º da histórica visita do papa João Paulo II(12 de outubro).

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