Premium Sob o signo da Grande Baía

Projeto da Grande Baía central nos discursos sobre Macau e Hong Kong nas Duas Reuniões de Pequim. Referência a desenvolvimento democrático ausente de discurso de Li Keqiang.

Uma das chaves para a prosperidade e estabilidade das duas regiões administrativas especiais está no aproveitamento das oportunidades geradas pelo projeto da Grande Baía. Esta ideia ocupou um lugar de destaque nos discursos e encontros que têm lugar em Pequim no âmbito das sessões anuais da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), o órgão consultivo de topo do Governo Central.

O tom foi dado pelo presidente da CCPPC, Wang Yang, no discurso de abertura do conclave que junta cerca de 2000 conselheiros. Wang sublinhou o papel ativo do órgão consultivo no desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e no aumento do intercâmbio entre jovens das três regiões.

No primeiro relatório desde que assumiu o cargo há cerca de um ano, deixou uma mensagem específica para Hong Kong: "Encorajámos os delegados locais de Hong Kong e Macau a apoiarem os seus governos e chefes do executivo no exercício da governação de acordo com a lei. Opusemo-nos inequivocamente à independência de Hong Kong", afirmou na parte de balanço das atividades em 2018. Para este ano, Wang compromete-se com implementação "abrangente e rigorosa" do princípio Um País Dois Sistemas segundo o qual as gentes de cada uma das regiões as governa, gozando de um alto grau de autonomia.

Num encontro com os delegados de Macau, Edmund Ho, ex Chefe do Executivo de Macau e vice-presidente da CCPPC, pediu aos representantes locais naquele órgão que mantenham "elevado grau de consistência" na relação com Pequim de modo a concretizar os planos gizados pelo Governo Central para a região, nomeadamente no que concerne à Grande Baía e à eleição do próximo Chefe do executivo.

Quando chegou a vez do primeiro-ministro, Li Keqiang, subir ao mesmo palco do Grande Palácio do Povo, dois dias depois, a mensagem foi semelhante à de Wang, com uma passagem um pouco mais detalhada sobre a perspetiva do Governo Central sobre o papel e o futuro das regiões administrativas especiais. Li apontou caminho para as duas grandes iniciativas de Pequim as duas regiões e para a ação externa global da China. "Apoiaremos as duas regiões no aproveitamento das oportunidades criadas pela Iniciativa Faixa e Rota e a Grande Baía Guangdong-Hong Kong Macau, valorizando as suas forças e aprofundando a cooperação de benefício mútuos com o continente em todos os campos. Temos toda a confiança que Hong Kong e Macau ir-se-ão desenvolver e prosperar conjuntamente com o continente a manter prosperidade e estabilidade no longo prazo". Contrariamente ao que sucedeu em anos anteriores não houve qualquer referência ao desenvolvimento democrático de Hong Kong e Macau.

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