Premium "Só abro as janelas quando já não consigo respirar": morrer de frio num país ameno

Verdelhos, freguesia da Covilhã, tem o maior índice de pobreza energética do país. Ao frio da serra junta-se uma população envelhecida que não tem como aquecer as casas. Esta é a história da demanda por agasalho num dos países europeus mais quentes e onde mais se morre de frio.

Toc, toc, toc, toc. Um cavalo troteia pelo empedrado de Verdelhos com uma batida pachorrenta mas ritmada, parece a introdução para uma cantiga que nunca chega a arrancar. Atrelada ao animal está uma carroça, vem carregada de toros de pinho - e, ao lado, a mulher que foi colher madeira ao monte. "Dá-me para uma semana, este calhambeque cheio", zomba Silvina Afonso, 56 anos. Toc, toc, toc e o cavalo finalmente para. "Ó Nuno," grita ela pelo filho, "anda cá ajudar a descarregar isto".

Neste ano fartou-se de chover no outono e o povo de Verdelhos viu-se atrapalhado. É que chegou o inverno e ninguém tinha lenha seca nos armazéns para aquecer as casas. "Nós ainda nos safamos porque temos força nos braços", diz Nuno Afonso Costa, 38, o filho de Silvina. "Agora temos aí muito velhote que já não consegue ir todas as semanas ao monte. A maioria teve de poupar nos medicamentos e gastar a reforma a comprar madeiro." Aqui, explica o homem, os remédios podem prevenir doenças, sim. Passar frio é que é morte certa.

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