Passagem do ciclone Idai deixa rasto de destruição e morte

Presidente moçambicano diz que os danos causados pelo ciclone Idai no centro do país são "muito preocupantes". Ainda não se sabe quantos mortos e feridos há

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, qualificou hoje como "muito preocupantes" os danos provocados pelo ciclone Idai na região centro do país, mas não avançou dados sobre mortes nem feridos, devido a "dificuldades nas buscas".

Na região da Beira, no centro do país, alguns residentes relataram à Lusa o rasto de morte deixado pelo ciclçone. "A minha casa caiu, a minha filha sofreu e estou no hospital. A filha duma vizinha morreu [quando] a casa caiu", relatou Miquelina Mugaua, moradora na Munhava, onde proliferam as habitações precárias. Mateus Silvério, outro morador na zona, disse que "a situação é mais crítica no interior" do bairro.

"Tem uma criança que morreu e, próximo da maternidade da Munhava, um outro homem está lá morto", descreveu.

As entidades oficiais remetem para mais tarde um levantamento detalhado das ocorrências relacionadas com a tempestade.

O canal de televisão privado STV relatou ainda haver pelo menos uma morte com o desabamento de uma casa no distrito de Nhamatanda, a cerca de 100 quilómetros da capital provincial.

Na cidade da Beira, a chuva intensa e os ventos ciclónicos destruíram várias habitações e outras estruturas do bairro carenciado da Munhava, como um posto de saúde, onde a Lusa verificou haver várias pessoas a procurar atendimento, poucas horas depois do dia clarear.

Só pelas 08:00 (06:00 em Lisboa) é que o vento e a chuva diminuíram de intensidade. A cidade da Beira é uma das principais de Moçambique, com cerca de meio milhão de habitantes e capital da província de Sofala, tendo ficado sem eletricidade e sem comunicações devido ao ciclone.

Por toda a zona urbana há marcas de destruição, com edifícios sem telhado e muitos vidros partidos. Há árvores, painéis publicitários e outras estruturas caídas nas estradas, impedindo a circulação. Há residentes que tentam prestar assistência à população, circulando de bicicleta que, nalguns casos, substitui as ambulâncias para transportar feridos.

Pela cidade e bairros em redor veem-se residentes a deixar para trás casas precárias e a procurar refúgio em locais mais abrigados.

Equipas de socorro do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e agências das Nações Unidas estão no terreno a avaliar a situação, referiu fonte oficial.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) de Moçambique anunciou que o ciclone está a enfraquecer desde que entrou em terra, proveniente do oceano Índico, ao princípio da noite de quinta-feira. Para hoje prevê-se que continue a avançar em direção a oeste com ventos de 140 a 160 quilómetros por hora, chuva e trovoadas intensas, que afetam sobretudo as províncias no seu percurso - Sofala, Manica -, mas também Zambézia, Inhambane e Tete.

Karin Mantente, representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) no país, disse hoje à Lusa que há produtos alimentares e cinco helicópteros de diferentes entidades de socorro prontos a entrar em ação na região centro logo que haja condições meteorológicas para operarem.

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