Português arrisca 20 anos de prisão por ajudar a salvar mais de 14 mil migrantes

Miguel Duarte, de 26 anos, está a ser acusado pela justiça italiana de auxílio e incentivo à migração ilegal, juntamente com outros nove membros da tripulação do Iuventa.

"Basta um dia no mar para perceber que estas pessoas não vêm por escolha própria. Uma mãe nunca deveria ter de pôr os seus filhos num barco em mar alto com tão poucas probabilidades de sobreviver", contra Miguel Duarte, natural da Azambuja, que aos 24 anos decidiu tornar-se voluntário da ONG alemã Jugend Rettel e ajudar a minimizar o sofrimento dos milhares de migrantes que tentam atravessar o Mediterrâneo com esperança de encontrarem na Europa um futuro.

Dois anos depois e com cerca de 14 mil vidas salvas por si e pelos outros nove membros da tripulação do navio de resgate e salvamento Iuventa, este aluno de doutoramento em Matemática no Instituto Superior Técnico em Lisboa, arrisca uma pena de 20 anos de prisão e milhares de euros em coimas por ter ajudado a salvar milhares de migrantes de afogamento no Mediterrâneo. Ele e outros nove tripulantes do Iuventa foram constituídos arguidos em 2018 suspeitos de auxílio à imigração ilegal por parte das autoridades italianas pelo trabalho como voluntários da ONG alemã Jugend Rettel.

Neste caso, tornou-se mediático a história da bióloga, ativista e capitã da embarcação de salvamento, Pia Klemp, de 35 anos. A situação está a gerar indignação e está a decorrer uma petição a exigir que Itália suspenda o processo judicial contra a ativista alemã e todos os outros membros da tripulação. Mais de 100 mil pessoas já assinaram. Foi também criado o movimento #FreePia que já se tornou viral nas redes sociais.

Mas Miguel não se arrepende: "Não tenho a mais pequena dúvida que tirar estas pessoas da água é o que está certo. E não tenho a mais pequena dúvida que qualquer pessoa teria feito o mesmo", afirma num vídeo que acompanha a campanha de angariação de fundos criada pela HuBB - Humans Before Borders para ajudar a pagar as despesas judiciais. "É preciso a ajuda de todos para lutar contra esta injustiça e é preciso a ajuda de todos para que a solidariedade não se torne um crime", afirma Miguel no apelo que faz.

A campanha já angariou mais de 5 mil euros em 5 dias, graças aos donativos de centenas de apoiantes, mas "a equipa de advogados que está a apoiar o Miguel e a tripulação do Iuventa estimou em cerca de 500 mil euros os custos legais para o processo", lê-se na apresetação do crowdfunding. A estes custos acrescem ainda as deslocações para reuniões entre tripulantes, com a equipa legal e para as audiências judiciais.

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