População de África mais do que duplica nos próximos 30 anos

Existem 7500 grandes cidades africanas, segundo a base de dados Africapolis. É o caso de Onitsha, na Nigéria, que daqui a 30 anos terá 50 milhões de habitantes

Daqui a trinta anos, em 2050, a população africana vai mais do que duplicar e passar de 1,2 para 2,5 mil milhões de habitantes. As grandes cidades do continente negro estarão na linha da frente dessa revolução demográfica, segundo avança um artigo do Le Monde Afrique publicado hoje.

O grupo Club de Sahel e da África Ocidental (CSAO, em francês) da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), reuniu-se na semana passada em Paris para debater os desafios impostos por esta urbanização galopante. Um fenómeno que tem sido subestimado. Segundo as estatísticas da ONU, que contam apenas as cidades africanas com mais de 300.000 habitantes, existem 225 metrópoles em África. Mas as contas da Africapolis, a base de dados geoespacial do CSAO (desde 2013), são bem diferentes: são 7500 as grandes cidades africanas.

Uma das maiores será Onitsha, na Nigéria. Segundo a Africapolis, vivem nesta metrópole 8,5 milhões de pessoas. Daqui a 30 anos, Onitsha será um mega aglomerado de 50 milhões de pessoas.

No Níger, por exemplo, "a população das aldeias está a aumentar de tal forma que se transformam rapidamente em cidades", explicou ao Le Monde Afrique o diretor do CSAO, Laurent Bossard. No Níger, a população atual será multiplicada por seis daqui a 30 anos, uma vez que, todos os anos, surgem seis ou sete municípios com mais de 10 000 habitantes.

Um crescimento desmesurado que vai arrastar problemas ambientais, de transportes e de falta de infraestruturas, em geral, no continente. Também pode acarretar o "fim da solidariedade africana" como referiu a arquiteta e antropóloga Koffi Sénamé.

O grupo CSAO está empenhado em criar uma rede informal de investigadores, eleitos locais e responsáveis políticos nacionais para procurar respostas atuais para enfrentar esta sobrepopulação.

O relatório 2019 da Africapolis será apresentado na próxima cimeira da União Africana, que decorrerá julho em Niamey, capital do Níger, para alimentar a discussão entre urbanização e desenvolvimento. Uma das possíveis vantagens desta urbanização acelerada, segundo o diretor do CSAO, é que pode "contribuir para uma diminuição rápida da fecundidade e, logo, do crescimento demográfico em África".

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