Otomanos e Habsburgos, Ceausescu e agora Capital Europeia da Cultura

Catedral de Timisoara, na Roménia

A revolução de 1989 começou em Timisoara. Passados 29 anos sobre a queda do comunismo a Roménia assume a presidência da UE, a comprovar um destino ocidental, como o é o da mais ocidental das suas grandes cidades.

Desde que ali começou em dezembro de 1989 a rebelião que acabou com a ditadura de Nicolae Ceausescu que para mim Timisoara passou a ser sinónimo de uma Roménia que lutava pela democracia. Depois de visitar a cidade reforço para mim próprio a ideia de esta ser sinónimo do país, mas agora de uma Roménia de vistas largas e claro destino europeu, cansada de ser vista como um recanto esquecido do continente, pobre e atrasado e abalado pelos escândalos de corrupção na classe política."Aqui não há desemprego", diz o presidente da câmara de Timisoara, Nicolae Robu, que pertence a um partido da direita, portanto da oposição, pois o governo de Bucareste é social-democrata. "E temos muito orgulho em acolher tantos jovens que vêm de outras partes da Roménia estudar numa das nossas quatro universidades públicas e uma privada e depois constroem a sua vida cá", acrescenta este engenheiro, ele próprio ex-reitor da Politécnica.

A data de que mais se fala na Roménia nestes dias é a presidência semestral da União Europeia, que o país assume a 1 de janeiro de 2019. Mas se os governantes nacionais andam preocupados com as críticas ao país e também com o dossier Brexit, em Timisoara já se pensa é em 2021, quando a cidade for Capital Europeia da Cultura. "Queremos que um grande arquiteto de renome internacional nos faça um centro de artes, ciência, tecnologia e inovação que atraia visitantes", afirma Robu, que deseja também que a cultura vá para a rua, ao encontro das pessoas, e não fique fechada nas casas de ópera ou nos museus, coisas que não faltam nesta cidade do Banato, uma antiga região do Império Austro-húngaro que há um século se integrou na Roménia com naturalidade pois, apesar da multiplicidade de nacionalidades, os falantes de romeno eram a maioria (hoje, entre os 330 mil habitantes, os romenos serão 90%). Foi o tempo da România Mare, a Grande Roménia, cujo centenário até em Lisboa foi festejado com um espetáculo visual junto ao teatro São Carlos. O rei desse período glorioso foi Fernando I, filho de Antónia de Bragança e neto da nossa D. Maria II. E o muito amado rei Miguel, que morreu em dezembro de 2017 aos 96 anos, era neto de Fernando I.

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