Nove dos dez países com maior taxa de fertilidade estão em África

Crianças da RDCongo com um elemento dos Capacetes Azuis. África é o continente onde mais cresce a apopulação

Angola ocupa o nono lugar com 5.1 nados vivos por mulher. Portugal apresenta uma das taxas mais baixas de fertilidade no mundo.

Um estudo global sobre saúde e natalidade no mundo divulgado nesta sexta-feira revela que a grande maioria dos países com mais elevada taxa de fertilidade se encontra na África subsariana, sendo única exceção o Afeganistão, situado na Ásia Central.

O Níger ocupa o primeiro lugar com 7.1 nados vivos por mulher, seguindo-se o Chade com 6.7 e a Somália com 6.1. Angola apresenta uma taxa de fertilidade de 5.1.

Os índices nos restantes países da lusofonia são de 4.6 para a Guiné-Bissau; 4.2 para Moçambique; 4.1 para Timor-Leste; 3.3 para São Tomé e Príncipe; 2.2 para Cabo Verde e 1.8 para o Brasil. O território de Macau não foi abrangido no estudo, mas os valores de 2017 foram de 0.95 por mulher.

Gráfico corrigido. Na versão original era indicada a Nigéria e não o país como o país com mais elevada taxa de fertilidade

Estes dados são do estudo Global Burden of Disease, publicado num número especial da revista The Lancet, e correspondem à análise de um período que se estende entre 1950 e 2017, abrangendo 195 países e territórios.

O estudo é da responsabilidade do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), ligado à Universidade de Washington. É o único estudo a nível mundial que analisa as tendências globais no plano da saúde, incidindo sobre 359 doenças, 280 causas de morte e 84 fatores de risco.

Do total dos países analisados, 91 apresentam uma séria quebra de natalidade, com o estudo a destacar, além de Portugal, a Espanha, Noruega, Singapura e Coreia do Sul, com uma taxa de fertilidade inferior a dois nados vivos por mulher (1.7). O país com menor índice de todos é Chipre, com apenas uma criança por mulher em idade fértil.

Mais de 90 países vivem em situação de declínio demográfico

Outros países na Europa com valores abaixo da taxa de substituição da população são a Polónia e a Bósnia-Herzegovina, com 1.3.

Perante este quadro global, uma das conclusões é a de que, apesar da população mundial ter aumentado a uma média anual de 87,2 milhões de pessoas, os 91 países em declínio demográfico estão aquém da taxa de substituição das respetivas populações. Uma tendência que não deverá conhecer alterações no futuro previsível.

A taxa de substituição corresponde a 2.1 nados vivos por mulher em idade fértil. Em 1950, nenhum dos países estudados se encontrava abaixo daquele valor. A média da taxa de fertilidade era então de 4.7 nados vivos por mulher.

População dos países desenvolvidos corresponde atualmente a 14% do total

Outra importante conclusão é a de que enquanto em 1950 os países desenvolvidos correspondiam a 24% da população mundial, este valor caiu para 14% em 2017.

O declínio da natalidade é explicado por fatores como a prioridade dada pelas mulheres a uma carreira profissional, uma maternidade tardia, um mais generalizado acesso aos métodos de contraceção e a opção por um menor número de filhos, por motivos pessoais ou económicos.

Em paralelo, é nos países em vias de desenvolvimento - especificamente em África - que se verificam os valores mais elevados. Tendência semelhante, que se verificava no subcontinente indiano e na China, tem conhecido uma desaceleração em resultado de políticas de controlo da natalidade entretanto adotadas.

População mundial continuará a crescer no futuro próximo

Na China país, onde a taxa de fertilidade foi de 1.5 em 2017, aboliu-se a "política do filho único" (introduzida no final dos anos 70) para contrabalançar o recuo da natalidade. No entanto, continua a verificar-se uma disparidade anormal entre o número de nados vivos femininos e masculinos, predominando estes últimos - o que sugere a existência de opções de aborto seletivo.

A população mundial continuará, contudo, a crescer no futuro próximo devido ao aumento da esperança média de vida e às dinâmicas de natalidade das décadas anteriores.

Perante o quadro de evolução do estado de saúde no mundo, o estudo do IHME extrai uma conclusão negativa, antecipando que nenhum dos países analisados cumprirá na totalidade os objetivos da do desenvolvimento sustentável definidos na Agenda 2030.

Os valores mais elevados encontram-se nos países desenvolvidos e situam-se nos 95% para os casos de mortalidade infantil até aos cinco anos, mortalidade neonatal, mortalidade maternal e erradicação da malária.

Relacionadas

Exclusivos