Hospitais públicos sem tratamento para a fala

Por ocasião do Dia Internacional da Gaguez, que hoje se assinala, a Sociedade Angolana de Pediatria apela para a necessidade de inclusão de serviços de terapia e tratamento de doenças que afectam a fala nos hospitais públicos.

Os hospitais públicos angolanos não dispõem de serviços de terapia e tratamento de casos de doenças da fala, situação que tem vindo a criar sérias dificuldades às famílias com crianças que carecem deste importante instrumento terapêutico, revelou ontem, em Luanda, o presidente da Sociedade Angola de Pediatria, César Freitas, por ocasião do Dia Internacional da Gaguez que se comemora hoje. Segundo o médico, os hospitais públicos, com realce para a pediatria David Bernardino, a maior unidade pediátrica do país, têm recebido muitos casos de crianças com problemas da fala, mas carecem de acompanhamento e terapias assistidas por falta de técnicos especializados na área e, na grande maioria dos casos, não recebem tratamentos, o que acaba por acometer os pacientes a um enorme sofrimento devido à gravidade da sua situação clínica. Entretanto, outras crianças, de famílias com maiores possibilidades financeiras, são encaminhadas para algumas clínicas privadas espalhadas por Luanda e que cobram avultadas somas financeiras por cada sessão terapêutica.

As doenças que afectam a fala são caracterizadas por dificuldades na comunicação verbal, das quais se destacam a disartria, que é a fala embolada, sem nitidez e arrastada com alterações na voz que dificultam a articulação e a expressão oral do paciente. Há ainda o mal de parkinson, problema que causa rigidez muscular e, consequentemente, dificuldade na fala, traumatismo craniano, que pode ser provocados por várias situações e a afasia, que é a perda da capacidade de comunicar por causa de uma lesão cerebral. De acordo com Cesar Freitas, devido aos elevados casos de patologias infecciosas, como a malária, que é a primeira causa de mortes em Angola, as doenças da fala entraram no quadro das enfermidade negligenciadas, que não têm vindo a merecer a atenção e a preocupação primária das autoridades.

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