Ex-ministro moçambicano vai opor-se à extradição para os EUA

Manuel Chang está envolvido na transação de três empréstimos no valor de dois mil milhões de dólares

A defesa do ex-ministro das Finanças moçambicano Manuel Chang, detido na África do Sul pelo alegado envolvimento nas dívidas secretamente avalizadas pelo executivo, anunciou hoje que vai opor-se judicialmente à sua extradição para os Estados Unidos.

Rudi Krause, advogado sul-africano de Manuel Chang, citado hoje pelo Business Day, afirmou que as acusações imputadas pelo Governo norte-americano ao ex-ministro das Finanças estão relacionadas com três empréstimos avalizados por Maputo a favor de três empresas públicas ligadas à pesca e segurança marítima.

"Vamo-nos opor ao pedido de extradição", declarou Rudi Krause, aludindo à intenção das autoridades norte-americanas de julgar o atual deputado da Frelimo nos Estados Unidos da América.

Ouvido na segunda-feira, 31 de dezembro, no tribunal de Kempton Park, em Joanesburgo, Manuel Chang permanecerá sob custódia da polícia sul-africana, voltando a ser ouvido em tribunal na próxima terça-feira, 8 de janeiro, confirmou o porta-voz da Polícia, Vishnu Naidoo, ao portal News24.

Manuel Chang foi detido na África do Sul, no aeroporto de Joanesburgo, no dia 29 de dezembro, quando tentava embarcar para Dubai, na sequência de um pedido de extradição expedido pelas autoridades norte-americanas a 27 de dezembro, por alegado envolvimento em crimes financeiros que ascendem a dois mil milhões de dólares.

Manuel Chang, ministro das Finanças durante o governo do Presidente Armando Guebuza, entre 2005 e 2010, é acusado de ter avalizado três empréstimos de 2.000 milhões de dólares (1.760 milhões de euros) secretamente contraídos a favor da Ematum, da Proindicus e da MAM, empresas públicas ligadas à segurança marítima e pescas, entre 2013 e 2014. Os empréstimos terão sido utilizados para a compra de barcos de pesca de atum e sistemas de proteção da costa. A mobilização dos empréstimos foi organizada pelos bancos Credit Suisse e VTB.

Uma auditoria internacional deu conta da falta de justificativos de mais de 500 milhões de dólares (440 milhões de euros) dos referidos empréstimos, sobrefaturação no fornecimento de bens avaliada em 700 milhões de dólares (cerca de 615 milhões de dólares) e inviabilidade das empresas beneficiárias do dinheiro.

Relacionadas

Exclusivos