Disparou mais de 100 vezes no 'massacre online' de 17 minutos no Facebook

Australiano de 28 anos fez um 'live' na rede social durante os ataques

"Vamos começar esta festa". Foi com esta frase que o atirador australiano iniciou o massacre, desta sexta-feira, em duas mesquitas, em Christchurch, na Nova Zelândia acabando por matar, pelo menos, 49 pessoas. O homem de supremacia branca, de 28 anos, registou tudo num vídeo em direto no Facebook, durante 17 minutos, tendo, durante esse tempo, disparado mais de 100 vezes.

O 'massacre online' teve início por volta das 13.30, hora local, quando Brenton Tarrant, o atirador, entrou na primeira mesquita de Al Noor. No entanto, o vídeo começou mais cedo, nomeadamente quando este entrou no carro, vestido com roupa militar e um capacete na cabeça. Durante o trajeto até à mesquita vai colocando música militar e folclórica, uma delas chamada 'Remove Kebab', originalmente um vídeo de propaganda feito por soldados sérvios como tributo ao criminoso de guerra Radovan Karadzic.

O trajeto durou poucos minutos, pois ao fim de duas músicas o navegador do carro diz que este chegou ao destino final. Direciona o carro para um beco sem saída, mas antes dá passagem a outra viatura. Estaciona, abre a mala do carro e retira uma arma de grande porte, sendo que outras cinco eram visíveis.

Dirige-se então para a porta da mesquita e à entrada mata a primeira pessoa, com nove tiros. Já dentro, Brenton Tarrant começa então a disparar contra todas as pessoas que vai vendo. No vídeo vê-se um homem a ser baleado, arrastando-se depois pelo chão, mas o atirador não o poupa, voltando a atirar nele para imobilizá-lo definitivamente. Muitas pessoas são baleadas à queima-roupa, outros amontoavam-se nos cantos da mesquita, mas o atirador não poupou ninguém, nem mesmo uma mulher, que lhe implora pela vida, mas Brendon acabaria por baleá-la na cabeça.

Atirador escreveu um manifesto de 74 páginas onde diz que as suas motivações passavam por "criar uma atmosfera de medo" e "incitar à violência" contra muçulmanos

Após acabar as balas, o atirador volta ao carro, para ir buscar mais munições e armas e volta a entrar na mesquita, onde volta a matar mais pessoas. Aliás, para ter a certeza da morte destas, o assassino, como se vê no vídeo, decide então apontar à cabeça das pessoas já baleadas.

Tudo isto durou então 17 minutos, sendo que Brenton abandonou depois este local e dirigiu-se, mais uma vez no seu carro, à mesquita de Linwood. Se na primeira deixou um rasto de 41 mortes, nesta seguinte assassinou sete (um ferido acabou por falecer no hospital), mas a tragédia podia ter sido maior, pois algumas testemunhas revelaram que um homem conseguiu desarmar o atirador na mesquita de Linwood. No total dos dois ataques registaram-se 49 mortes e mais de 20 pessoas ficaram gravemente feridas. Brenton Tarrant acabaria por ser detido, quando fugia de carro, como se vê no vídeo seguinte.

Após a detenção de Brenton, a polícia da Nova Zelândia informou também que prendeu outras três pessoas, mais dois homens e uma mulher. "Quatro pessoas estão sob custódia, três homens e uma mulher", disse o comissário Mike Bush, salientando que foram encontrados explosivos nos veículos dos suspeitos.

Manifesto de 74 páginas contra muçulmanos

Antes do massacre, Brenton Tarrant colocou online um manifesto de 74 páginas, intitulado 'The Great Replacement', onde salientava apoiar "muitos daqueles que se posicionaram contra o genocídio étnico e cultural. Luca Traini, Anders Breivik, Dylan Roof, Anton Lundin Pettersson, Darren Osborne, etc.", sendo que, assume também, teve um breve contacto com Anders Breivik, o terrorista que em 2011 matou mais de 77 pessoas na Noruega, salientando que este lhe deu a sua "benção" para estes ataques.

Espantados ficaram aqueles que conheciam o atirador, natural de Grafton, no estado autraliano de Nova Gales do Sul. Muitos consideravam Brenton como um "homem gentil e educado" e com especial cuidado para com as crianças. O terrorista, contudo, terá mudado em 2010, após a morte do seu pai. Nessa altura, então, decide viajar pelo mundo durante sete anos, antes de ir viver para a Nova Zelândia. De acordo com o manifesto, este país seria apenas um ponto de paragem, onde Brenton iria "treinar e preparar um ataque", acabando por decidir-se por realizá-lo no país onde se fixou em 2017.

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