Albinos pedem saúde gratuita

Dados das Nações Unidas e da OMS referem que uma em cada 18 mil pessoas no mundo tem um tipo de albinismo, taxa que, nalgumas regiões de África, pode ser de uma para cada 1.500 pessoas

Ao narrarmos histórias da nossa infância, vulgarmente se comenta que então "éramos felizes e não sabíamos", mas, se tivermos coragem para nos darmos ao trabalho de aguçar um pouco mais a memória, decerto daremos conta de actos que então praticávamos na maior das inocências, diante dos quais, hoje em dia, resta-nos concordar que era tão grande a nossa ignorância e que, se desconhecendo a felicidade de alguns momentos, tínhamos de tal forma as mentes moldadas pelos preconceitos que nos permitíamos a tratar mal o nosso semelhante, assim que detectássemos nele a mais simples diferença.

Aproveitemos, pois, que ainda é tempo, a oportunidade de nos penitenciarmos pelo facto de termos sido injustos, ainda que tal seja apenas por termos alguma vez cuspido no nosso próprio peito, por debaixo da bata da escola, por causa de algum albino com que nos cruzássemos no caminho, escravos que éramos da ideia estapafúrdia de que assim estaríamos, de alguma forma, a espantar os demónios que nos trariam essa deficiência. Afinal, quão néscios éramos e nem sabíamos!

Só quase já em idade adulta começámos a olhar para a situação com outros olhos, mas levámos anos a perceber um pouco mais a questão e a procurar na medicina e na ciência, em geral, explicações para o facto de serem essas pessoas tão "diferentes" das demais. Foi dessa forma que soubemos ser o albinismo uma anomalia pigmentar, originada por factores genéticos (genes recessivos dos pais), que leva a cor da pele, dos pelos e dos olhos a tornarem-se claros e que isso se deve a factores genéticos, que não é considerado uma doença, podendo, entretanto, surgir problemas na visão e haver um risco maior de cancro da pele nos portadores.

Dados das Nações Unidas e da OMS referem que uma em cada 18 mil pessoas no mundo tem um tipo de albinismo, taxa que, nalgumas regiões de África, pode ser de uma para cada 1.500 pessoas. É também no nosso continente onde a discriminação e a perseguição dos albinos são mais acentuadas, atingindo muitas vezes níveis macabros.
Foi essa a principal preocupação que levou a ONU a proclamar, em 2015, o 13 de Junho como Dia Mundial da Conscientização do Albinismo, cujo objectivo é divulgar informação sobre essa anomalia, com vista a evitar a discriminação aos albinos. Procura-se, dessa forma, sensibilizar as populações para condição dos albinos, que, em todo o mundo, enfrentam preconceitos e até superstição, decorrentes da pouca ou nenhuma pigmentação da sua pele. Na verdade, essa incapacidade de um indivíduo produzir melanina, que é um filtro solar natural e que dá cor à pele, pêlos, cabelos e olhos pode suceder em qualquer parte do mundo e com indivíduos de todas as raças. Mas é em África que é mais frequente e problemático. Dados da ONU mencionam que centenas de pessoas com albinismo, na sua maioria crian-
ças, foram atacadas, mutiladas ou mortas em pelo menos 25 países africanos.

Leia mais em Jornal de Angola

Relacionadas