Grande Baía e cooperação sino-lusófona podem combater dependência do jogo

Economistas responsáveis pelo BNU, Fórum Macau e Instituto de Estudos Europeus defenderam que o projeto da Grande Baía e a cooperação sino-lusófona podem combater a dependência do jogo e potenciar a diversificação da economia de Macau, numa iniciativa conjunta da Fundação Rui Cunha e do semanário luso-chinês Plataforma.

O secretário-geral adjunto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa sublinhou que o projeto da Grande Baía "é uma oportunidade que Macau não pode perder", numa referência à ideia de Pequim de se criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província chinesa de Guangdong, numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,2 biliões de euros.

Rodrigo Brum lembrou que "já na administração portuguesa se falava da necessidade de diversificação da economia" e frisou que, apesar do objetivo de vários governos, hoje "a exposição ao jogo é ainda maior".

O responsável disse estar convicto de que, para além do desafio que é o projeto da Grande Baía, a plataforma sino-lusófona de cooperação comercial tem um potencial que pode ultrapassar o valor atualmente associado à exploração do jogo em Macau.

Em sintonia, num debate sobre os 20 anos da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), o presidente do Banco Nacional Ultramarino (BNU) afirmou que a própria instituição tem como ambição reforçar a sua aposta na região da Grande Baía para apoiar os seus clientes.

"Faz sentido propor ao acionista fazer mais coisas do lado de lá [interior da China]" e que o fundo de investimento sino-lusófono existente - na ordem dos mil milhões de dólares (900 milhões de euros) - fosse capaz de garantir investimentos em Portugal, disse Carlos Alvares no encontro, que resultou de uma iniciativa conjunta da Fundação Rui Cunha e do semanário luso-chinês Plataforma.

Já o presidente do Instituto de Estudos Europeus destacou também o facto de o projeto da Grande Baía poder desempenhar um papel crucial na diversificação da economia do antigo território administrado por Portugal, mas alertou que deve existir "alguma paciência" face à forte dependência do jogo em Macau.

José Sales Marques recordou, de resto, que foi o próprio Instituto de Estudos Europeus que em 2003 lançou a ideia de se criar a plataforma Creative Macau, um contributo para a política de diversificação que as autoridades dizem querer prosseguir através da criação de indústrias criativas.

O Governo de Macau deverá chegar ao final do ano com um excedente orçamental de 9,6% do PIB, um ligeiro decréscimo face aos 12,2% registados no ano passado, mas ainda assim excecionalmente elevado face à média dos países analisados pela agência de notação financeira Fitch, que nota ainda que o território deverá ter reservas externas no valor de 136% do PIB.

De acordo com os dados mais recentes da Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ), as receitas brutas acumuladas de janeiro a novembro totalizaram 269,62 mil milhões de patacas (30,28 mil milhões de euros).

Em 2018, as receitas dos casinos na capital mundial do jogo cresceram 14%, para 302,8 mil milhões de patacas (cerca de 33 mil milhões de euros).

Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal, havendo seis concessionárias no território: Sociedade de Jogos de Macau, fundada pelo magnata Stanley Ho, Galaxy, Venetian, Melco Resorts, Wynn e MGM.

Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma região administrativa especial da China em 20 de dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia acordado por um período de 50 anos, com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

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