"Fascistas do terceiro milénio" estão em Portugal. Russos e italianos apoiam

"Fascistas do terceiro milénio" estão em Portugal. Russos e italianos apoiam

Bruno Simões Castanheira/Global Imagens

As autoridades - SIS e PJ - estão alerta e a vigiar estas novas organizações ainda com pouca expressão. Nos últimos três anos destacaram-se cinco movimentos identitários neonazis, alguns atraíram históricos skinheads.

São 14 as palavras-chave decoradas pelos militantes: "Devemos assegurar a existência do nosso povo e um futuro para as crianças brancas", uma expressão inspirada no Mein Kampf, de Adolf Hitler. Quando se juntam repetem sílaba a sílaba. É a essência dos novos grupos chamados de "identitários" que se têm avolumado por toda a Europa e que também procuram espaço no nosso país. São os "fascistas do terceiro milénio", classifica José Pedro Zúquete, investigador do Instituto de Ciências Sociais, que vai em outubro lançar um livro nos EUA sobre o tema. "Rejeitam a esquerda progressista e a direita liberal e, inspirados nos italianos Casapound, reivindicam a herança do fascismo para o novo milénio", explica.

É também sobre a expansão deste fenómeno em Portugal que alerta o Serviço de Informações e Segurança (SIS) no último Relatório de Segurança Interna, tendo o atual diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, assumido o combate à "extrema-direita emergente e criminosa". Com a fação "criminosa" destes extremistas quase paralisada nos últimos anos com as investigações e detenções da Judiciária - com destaque para os seguidores e desertores skinheads de Mário Machado - restam os "emergentes". "São sempre grupos de risco, alvo de atenção especial, mas a liberdade de expressão é um direito. O crime só está quando concretizam os seus discursos racistas e xenófobos ou há apelos diretos à violência. É ai que a PJ atua. E vale tanto para extrema-direita como para a extrema-esquerda", explica uma fonte policial que acompanha estes movimentos.

A fronteira é fina e frágil como porcelana, até porque, conforme o DN pode confirmar em fontes abertas na internet, estão identificados na esfera de influência destas novas organizações, alguns históricos dos cabeças-rapadas, como é o caso de dois dos condenados pelo assassinato de Alcindo Monteiro no Bairro Alto, em 1995.

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