Estados Unidos alertam para onda de criminalidade

Aerial view of Praia city in Santiago - Capital of Cape Verde Islands - Cabo Verde

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  |  Getty Images/iStockphoto

A embaixada dos Estados Unidos em Cabo Verde emitiu hoje um alerta de segurança aos seus cidadãos por causa da onda de criminalidade na cidade da Praia nos últimos meses.

"A embaixada dos Estados Unidos na Praia informa os seus cidadãos que houve um aumento de crimes violentos. Têm acontecido vários roubos à mão armada e homicídios na Praia nos últimos 60 dias", começou por referir a embaixada americana na capital de Cabo Verde, em comunicado.

Neste sentido, aconselhou os seus cidadãos e tomarem algumas ações, nomeadamente manterem a vigilância e estarem atentos ao seu redor, monitorarem a imprensa local para estarem atualizados, manterem uma atitude discreta, manterem-se alertas em locais frequentados por turistas, reverem os planos de segurança pessoal e reportarem crimes à polícia local.

No comunicado publicado nas suas páginas oficiais, a embaixada dos Estados Unidos na Praia disponibiliza ainda alguns contactos para assistência aos seus cidadãos residentes na capital cabo-verdiana.

Vários crimes com arma de fogo têm acontecido na cidade da Praia nos últimos meses, em que o mais recente e mais mediático foi o assassinato, na terça-feira, de um agente policial quando este foi chamado para uma diligência no bairro de Tira Chapéu, considerado um dos mais problemáticos da cidade.

O agente policial foi a enterrar na quarta-feira e nenhum suspeito do crime foi detido até ao momento.

Na semana passada, a Polícia Nacional deteve sete indivíduos suspeitos de assaltos à mão armada a vários estabelecimentos comerciais e pessoas na cidade da Praia e em Assomada, ilha de Santiago.

No último sábado, uma jovem de 37 anos foi encontrada morta nas proximidades de um condomínio onde trabalhava como empregada doméstica, no bairro do Palmarejo, num caso de homicídio que está a ser investigado pela polícia.

Há três meses, o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, foi atingido a tiro no braço direito à entrada de um ginásio que frequenta. O autarca recuperou da lesão, mas até agora nenhum suspeito foi detido e as motivações do atentado são ainda desconhecidas.

Na altura, a embaixada norte-americana também emitiu um alerta de segurança, com conselhos aos seus cidadãos.

A onda de criminalidade na Praia dominou na quarta-feira o debate no parlamento sobre o estado da justiça no país, como o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, a acusar o maior partido da oposição (PAICV) de "aproveitamento político e oportunístico" dos crimes, que, disse, fogem aos padrões normais da sociedade cabo-verdiana.

O chefe do Governo disse que todos devem repudiar os atos de crime e adiantou que o executivo vai continuar a reforçar os investimentos, meios e condições para melhorar a qualidade de justiça.

Em resposta, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, disse que não pode ficar indiferente ao assassinato de um agente policial em trabalho, ao desaparecimento de crianças, ao sequestro de um padre ou à decapitação de cadáveres para serem enterrados.

O ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, mostrou-se consternado com a morte a tiro do policial e preocupado com a exposição diária dos efetivos da Polícia Nacional durante as operações.

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