Escola para maridos diz que homem de verdade respeita mulheres

Ensinar tarefas domésticas e o direito das mulheres e meninas a viverem sem violência são dois dos principais objetivos das mais de 1600 escolas de maridos que funcionam na região africana do Sahel.

"Muitas vezes brigava com a esposa e até lhe batia", reconhece Waimbabie Gnoumou, um dos mais de 500 alunos que já passaram pela escola de maridos de Mamboué, uma pequena aldeia no oeste de Burkina Fasso.

Waimbabie faz parte de um grupo de 16 homens que, uma vez por semana, se reúnem na Escola de Maridos e Futuros Maridos, uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e do Banco Mundial.

Martine, a sua mulher, conta à ONU News, que o relacionamento do casal "melhorou muito" desde que o Waimbabie começou a frequentar estas aulas.

A violência acabou e Martine diz que o marido está transformado. Por exemplo, conta, ele passou a carregar água e lenha lá para casa, para além de assumir outras tarefas domésticas, como ajudar a tratar dos filhos. A meta dele é inspirar outros homens, conta a ONU News.

Uma da tarefa dos formadores destas escolas, no terreno desde 2008, passa precisamente por eliminar mitos como por exemplo o facto de em algumas sociedades se associar planeamento familiar a esterilidade.

Implantado em sete países africanos do Sahel - Benin, Burkina Fasso, Chade, Costa do Marfim, Mali, Mauritânia e Níger -, as aulas são adaptadas aos costumes e à cultura de cada uma das comunidades dos diferentes países.

Em comum, um objetivo: criar empatia entre os homens para os desafios enfrentados pelas mulheres da comunidade. O que leva a aprenderem a fazer coisas tão simples como varrer a casa ou ir buscar água.

De acordo com a UNFPA, para além de aprenderem tarefas domésticas, os homens são também sensibilizados para o facto de as mulheres e as meninas terem direito a viver sem violência doméstica.

Temas cruciais, segundo a agência da ONU, sobretudo numa região africana que possui umas das maiores taxas de morte materna do mundo e um dos mais baixos indicadores de autonomia para meninas. No Burkina Fasso, 52% das meninas se casam antes dos18 anos.

As "mudanças comportamentais dos homens tiveram impactos positivos nas comunidades", destaca Issa Sadou, responsável pelo programa Empoderamento e Dividendo Demográfico das Mulheres do Sahel (Swedd), do qual faz parte as escolas para maridos, para além de treino vocacional para meninas e iniciativas para que elas permaneçam mais anos na escola, aprendam a cuidar da sua própria saúde e a defender os seus direitos.

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