Em busca de padrões comuns

Em busca de padrões comuns

DR

Entidades de inspeção alimentar e de atividades económicas da Lusofonia vieram a Macau à procura de uma base comum. O objetivo é garantir qualidade e autenticidade para abrir as portas do mercado da China continental.

Formação, qualidade e autenticidade são as palavras chave para a cooperação entre Macau, China e as entidades de inspeção alimentar e das acticidades económicas da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). No horizonte está a possibilidade de mais produtos bandeira do espaço da lusofonia - sobretudo produtos alimentares e agrícolas - serem colocados no mercado da China continental, fazendo uso de Macau como veículo.

O caminho teve início esta segunda-feira através da primeira reunião entre Fórum das Inspecções de Segurança Alimentar e das Actividades Económicas da CPLP (FISAAE-CPLP) e o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperacão Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau). No encontro a Secretária-geral do Fórum, Xu Yingzhen, salientou que

tendo em conta o cariz técnico do trabalho de inspecção e quarentena, nomeadamente da diferença de procedimentos e critérios dos diversos países, é indispensável reforçar a comunicação e o intercâmbio entre as instituições responsáveis por esta matéria.

O Presidente de FISAAE, Abílio Sereno, - coordenador da Autoridade de Inspeção e Fiscalização Económica, Sanitária e Alimentar de Timor-Leste salientou a experiência e tecnologia de Macau ao nível da fiscalização a segurança alimentar, além de albergar o Centro de Distribuição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa. Em declarações ao PLATAFORMA, Sereno sublinhou que é importante aproveitar o Fórum de Macau para "o reforço da cooperação na área da formação" e para que cada país perceba melhor que produtos poderão ser introduzidos na China. Timor-Leste aposta na abertura de portas para o café, arroz, batata doce e mandioca.

Angola está também focada em ir ao encontro de padrões internacionais, segundo o Inspector-Geral do Comércio de Angola, Fernando Francisco Catumbila.

"Precisamos de estar alinhados para fazer a exportação. Podermos exportar mais produtos para a China vai ser muito bom para o crescimento e desenvolvimento de Angola", afirmou. Café e mel são exemplos de prioridades para as autoridades angolanas.

A chave está por um lado na melhoria das condições de segurança e sanitárias na origem e, por outro, num entendimento dos regulamentos do país de destino. "Nós como inspeções temos que garantir a qualidade, a fiabilidade e genuinidade dos produtos à saída do país, de forma a cumprir os requisitos de higiene e limpeza, e que não sejam contrafeitos para a entrada no mercado chinês", explica Rita Freitas, inspetora-geral da Inspecção Nacional das Actividades Económicas de Moçambique. Para isso é preciso que haja um bom conhecimento das leis e regulamentos da China continental.

O Inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) de Portugal, Pedro Portugal Gaspar, adianta que "alguns produtos significativos, bandeira de certos países podem ser um ponto referencial entre as partes assumindo-se a autenticidade e garantias de higiene e segurança alimentar", formando assim uma primeira base comum para a entrada no mercado da China continental. Nesse processo "o interface com Macau é importante", considera. A ASAE tem desenvolvido programas de cooperação com o Instituto para os Assuntos Municipais - esta semana estiveram em Macau dois inspetores da ASAE para dar formação - além de ter um protocolo com Zhuhai para verificação de algumas condições de higiene e segurança alimentar.

Relacionadas

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG