Ébola está mais mortífero e tornou-se mais frequente

Despistagem de casos de ébola na localidade de Beni, na RDCongo

Despistagem de casos de ébola na localidade de Beni, na RDCongo

A ocorrência de novos surtos de ébola em larga escala estão a tornarem-se frequentes e afetam cada vez mais um maior número de pessoas, advertiu nesta sexta-feira a Organização Mundial de Saúde.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) está a iniciar-se uma "nova fase" em que os surtos de ébola atingem cada vez mais pessoas e, em consequência, provocam também um maior número de mortos.

Exemplo desta tendência encontra-se na República Democrática do Congo (RDCongo) onde se verifica atualmente um surto de grandes dimensões que já causou mais de 1300 mortos.

O surto que atinge hoje a RDCongo teve início em agosto de 2018 e é considerado pela OMS como o segundo mais grave de sempre e faz-se sentir principalmente nas províncias do Kivu do Norte e de Ituri, onde estão ativos simultaneamente grupos armados.

O seu ritmo de progressão tem-se acelerado com o passar do tempo: demorou 224 dias a chegar aos mil casos e apenas 71 dias para atingir o dobro.

O surto mais grave ocorreu entre 2014 e 2016, atingindo a Guiné, Libéria e Serra Leoa. Na época morreram mais de 11 mil pessoas nos país afetados.

Em média, o número de vítimas mortais nos surtos ocorridos entre 2000 e 2010 provocaram cerca de cem mortos.

Para o diretor dos programas de emergência da OMS, Michael Ryan, esta é "uma nova fase" na disseminação de epidemias e "não é apenas o caso do ébola", disse à BBC News.

Está a assistir-se "a uma preocupante convergência de fatores de risco" que potenciam doenças como o ébola, a febre-amarela e a cólera.

Entre os fatores de risco, segundo aquele responsável da OMS, estão as deslocações em massa de grandes números de pessoas, as alterações climáticas, doenças emergentes e a ocorrência de conflitos e situações de crise em que se torna mais complexo ou mesmo impossível o acesso a cuidados de saúde.

Relacionadas

Exclusivos