Brasil envia força de elite para a Amazónia para combater a desflorestação

A desflorestação da Amazónia tem aumentado nos últimos meses.

A desflorestação da Amazónia tem aumentado nos últimos meses.

O Governo brasileiro autorizou esta quarta-feira o envio de elementos da Força Nacional de Segurança, um órgão de elite composto por agentes de todo o país, para ajudar no combate à desflorestação no estado do Pará, na Amazónia.

A decisão, publicada esta quarta-feira no Diário Oficial da União, foi adotada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, a pedido do Ministério do Meio Ambiente, segundo um comunicado.

Até ao final do mês, a Força Nacional de Segurança prestará apoio ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), na luta contra o desmatamento ilegal na floresta amazónica do município de São Félix do Xingu, no estado do Pará, no norte do país.

Ataques aos agentes do Ibama são frequentes nas regiões mais remotas do Brasil e um dos episódios mais recentes aconteceu na semana passada, quando madeireiros atearam fogo a um camião que transportava querosene (líquido derivado do petróleo) de aviação para fornecer helicópteros usados pela entidade em operações de fiscalização no estado de Rondônia.

A decisão do ministro da Justiça surge em meio de críticas ao Governo liderado por Jair Bolsonaro, devido à sua defesa de regras mais flexíveis na política ambiental, e pela proposta de modificar as regras do Fundo Amazónia, dedicado à proteção ambiental.

Entre os pontos mis polémicos, o Governo brasileiro pediu à Alemanha e à Noruega, principais patrocinadores do Fundo Amazónia, que aloquem parte dos seus recursos para compensar proprietários rurais em unidades de conservação.

Na semana passada, o ministro do Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, e os embaixadores de Noruega e Alemanha no Brasil chegaram mesmo a admitir a possibilidade de extinção do Fundo Amazónia, criado em 2008 com donativos daqueles dois países.

A captação de recursos para o Fundo Amazónia é condicionada pela redução das emissões de gases de efeito estufa oriundas da desflorestação, ou seja, é preciso comprovar a redução do desmatamento na Amazónia para viabilizar a captação de verbas.

Apesar de o objetivo do fundo ser a redução do desmatamento, foi notícia, na quarta-feira passada, o aumento em 88% da desflorestação da Amazónia Legal brasileira, em junho, numa comparação com o mesmo período do ano anterior.

A Amazónia Legal, que teve 920,4 quilómetros quadrados reduzidos no mês passado, corresponde à área delimitada na Amazónia brasileira em que são permitidas algumas atividades de exploração humana.

Junho foi o segundo mês consecutivo com aumento da desflorestação amazónica, no Governo liderado por Jair Bolsonaro.

O cenário atual da Amazónia coloca em risco as metas do Brasil para o Acordo de Paris, assinado em 2015, no qual o país sul-americano se comprometeu a restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e acabar com o desmatamento ilegal da Amazónia até 2030.

Relacionadas

Exclusivos