Brasil admite ter novo perfil de emigrantes em Portugal

Igor resende, conselheiro da embaixada do Brasil em Portugal para a promoção comercial

Igor resende, conselheiro da embaixada do Brasil em Portugal para a promoção comercial

O perfil histórico do emigrante brasileiro em Portugal mudou, admite o conselheiro da embaixada do Brasil para a promoção comercial face ao aumento exponencial de turistas e residentes, vindos de terras de vera cruz no último ano.

Igor Resende não se surpreende com a subida de 43% do número de brasileiros residentes em Portugal o ano passado, perfazendo um total que ronda as 151 mil pessoas (dados do SEF- Serviço de Estrangeiros e Fronteiras divulgados em janeiro).

Um em cada quatro imigrantes em Portugal tem nacionalidade brasileira e só em 2019 as autoridades portuguesas emitiram 48 627 novos títulos de residência para cidadãos brasileiros.

Ao nível do turismo registou-se um crescimento de 13,3% de visitantes brasileiros e Portugal definiu o objetivo de cativar 1,5 milhão de turistas do Brasil.

Para Igor Resende, conselheiro da embaixada do Brasil para a promoção comercial, "noutras épocas esse perfil de emigrante brasileiro era mais caracterizado por uma emigração que procurava oportunidades económicas, buscava melhores empregos e uma taxa de câmbio mais favorável para fazer poupanças".

Para este representante do Brasil na visita que diplomatas da América Latina realizaram à região do Dão, atualmente "há um outro perfil que é mais evidente, que é o do brasileiro que conhece Portugal, gosta do país, pensa aposentar-se e ficar por aqui, ou faz investimentos no mercado imobiliário e temos a combinação desses diferentes perfis que criam um cenário de oportunidades mais diversificadas para o investimento."

Boa parte dos investidores brasileiros considera Portugal a porta de entrada no mercado europeu, mas para este representante do Estado brasileiro, há quem queira mesmo permanecer aqui e fazer vida em território português e há quem procure oportunidades noutros países da Europa.

Igor Resende sublinha que a comunidade brasileira em Portugal é uma das mais expressivas em todo o continente europeu e nesse sentido o país não é uma mera porta para a Europa, mas o facto de estar aqui, gera oportunidades para todo o mercado comum europeu.

"Por exemplo, uma empresa que se fixe aqui e abra uma filial em território português, passa a ter acesso a mecanismos de financiamento comunitários e quando tem as certificações de um produto em Portugal fica automaticamente certificado para outros países. Então, significa que existe uma abertura de mercados, de oportunidades."

Já a questão do protecionismo Igor Resende considera que é mais complexa do que aparenta, porque no seu entender, se o Brasil é protecionista numas áreas, a Europa é muito mais noutras.

Dá como exemplo, "a área agrícola, que foi o que sempre condicionou o Brasil a fechar o acordo do Mercosul, pois existiram países europeus que sempre tiveram posições extremamente conservadoras que dificultaram o avanço de negociações e de abertura bilateral."

Mas este representante da diplomacia brasileira, acredita que neste momento conseguiu-se superar um pouco esse desafio, ao alcançar-se um acordo, restando esperar pela sua ratificação por parte dos respetivos governos, o que ainda é difícil prever, quando tal vai acontecer. Não acreditando que tal aconteça a curto prazo.

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