Todos os serviços ferroviários suspensos após confrontos

Confrontos esta sexta-feira, em Hong Kong, contra a lei anti-máscaras.

Confrontos esta sexta-feira, em Hong Kong, contra a lei anti-máscaras.

  |  REUTERS/Tyrone Siu

Todos os serviços ferroviários de Hong Kong, incluindo a linha que liga ao aeroporto, foram suspensos hoje, anunciou o operador dos transportes da cidade, MTR. A decisão surgiu após confrontos entre polícia e manifestantes, que provocaram estragos em estações da rede do metropolitano.

Os serviços do MTR, que incluem o metropolitano e os autocarros, "não podem operar esta manhã", indicou o operador em comunicado, adiantando que a situação iria ser reexaminada durante o dia.

"Após as violências ocorridas em vários distritos, o pessoal de manutenção deve garantir a sua segurança antes de se deslocar para as estações afetadas para inspecionar e avaliar os estragos e executar trabalhos de reparação", acrescentou o MTR.

Os confrontos com as forças de segurança começaram, ainda na sexta-feira, depois de a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, ter anunciado a proibição do uso de máscaras durante manifestações, a partir de hoje.

Logo depois do anúncio, várias ações de protesto começaram por toda a região administrativa especial chinesa. Milhares de pessoas bloquearam várias ruas na zona financeira, no centro da cidade.

Durante a noite, a polícia recorreu a granadas de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, que fizeram várias fogueiras e também vandalizaram, além das estações de metro, estabelecimentos comerciais considerados pró-chineses.

Com a 'lei anti-máscara', o Governo de Hong Kong pretende "acabar com a violência e restaurar a ordem" e a proibição visa apenas as pessoas que participem em manifestações ilegais e aqueles que recorram à violência.

Apesar de a medida excecional ser justificada pela "situação de grande perigo público" que se vive no território, não foi decretado o estado de emergência em Hong Kong, sublinhou Carrie Lam.

A 'lei anti-máscara' prevê penas até um ano de prisão e multas que podem ascender a 25 mil dólares de Hong Kong (pouco mais de 2.900 euros).

Na origem da contestação que se vive no território desde o início de junho está uma polémica proposta de emendas à lei da extradição, já retirada formalmente pelo Governo de Hong Kong.

Os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento local.

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