"Temos de garantir que quem não respeita a lei sofre as consequências"

"Temos de garantir que quem não respeita a lei sofre as consequências"

A ministra das Finanças de Angola esteve presente no Fórum de Davos num momento em que Angola vive as ondas de choque do caso Luanda Leaks. Na Suíça, Vera Daves garante que o Governo "está empenhado neste processo, enquanto processo global. E temos de manter o foco para criar as condições para que a economia de Angola cresça de uma forma inclusiva".

"É muito importante, quando temos uma visão, focar-nos nessa visão e persegui-la. Claro que uma das nossas prioridades é a luta contra a corrupção em todas em entidades, empresas e em relação a todas as pessoas. Todos devem respeitar a lei. Há casos mais mediáticos que outros mas temos de estar empenhados neste processo, enquanto processo global. E manter o foco para criar as condições para que a economia de Angola cresça de uma forma inclusiva", frisou a ministra das Finanças angolana em entrevista ao canal Euronews.

Vera Daves realçou que o caso que envolve a empresária Isabel dos Santos está entregue à Justiça e que a preocupação do Governo angolano é "garantir que as leis angolanas são aplicadas. E que quem trabalha em Angola, como os gestores públicos ou os investidores privados, cumprem a lei. E é o que está a acontecer. A Justiça angolana está a cumprir o seu papel garantindo que quem não respeita a lei sofre as consequências. E está a acontecer a vários níveis. É pena que só alguns casos sejam mediáticos."

A sua presença em Davos, sustentou, é uma demonstração de que Angola "está num caminho de reconstrução, de ganhar a confiança dos investidores nacionais e internacionais, em Angola, de mudança na maneira como fazemos negócio, como nos mostramos, como gerimos as entidades e as empresas públicas. Por isso, estar aqui é uma oportunidade para fazer ouvir a nossa voz, de falarmos sobre o que estamos a fazer, qual é a nossa visão em relação ao país e como nos propomos diversificar a economia. Porque, no modelo atual, o petróleo é o principal contribuidor, queremos mudar para um modelo onde outros setores contribuem para o nosso crescimento".

Para explicar o trabalho que o seu ministério tem pela frente em conjugação com o restante Executivo, a ministra indicou que "estamos a trabalhar em dois objetivos principais. Um deles é estabilizar as condições macroeconómicas, controlar a inflação, permitir que as taxas de câmbio flutuem livremente, para começar a crescer". Detalhando que "há quatro anos que temos uma taxa de crescimento negativa e precisamos de começar a crescer porque a nossa população está a aumentar e precisamos de crescer mais do que a nossa população para ir ao encontro das suas necessidades sociais

Numa perspectiva mais geopolítica, Vera Daves destacou o "papel pacificador" de Angola no continente africano. "Historicamente, desempenhamos esse papel: falamos com os países vizinhos, ajudamos a estabilizar a região, desempenhamos um papel importante para a paz na região dos Grandes Lagos e queremos continuar a fazê-lo, porque temos em Angola estabilidade social e politica e compreendemos que isso é a chave para garantir que o comércio, que a abertura que queremos ver entre países africanos, acontece num ambiente político de estabilidade".

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