Senador australiano quer questionar Governo sobre apoio a projeto timorense

Rex Patrick

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Um senador australiano considerou hoje que seria um "dos maiores disparates" da política externa do seu país não apoiar os projetos de Timor-Leste para o desenvolvimento do corredor petrolífero da costa sul, projeto conhecido como Tasi Mane.

"Se, de facto, é vontade de Timor-Leste, avançar com o projeto Tasi Mane e se a Austrália decidisse simplesmente ignorá-lo ou não se envolver, é muito possível que os chineses se envolvam", disse à Lusa Rex Patrick, senador da Centre Aliance.

"Não ajudar Timor-Leste com o projeto de Tasi Mane e ter os chineses a apoiar pode transformar-se num dos maiores disparates estratégicos da Austrália", sublinhou.

Na segunda-feira, o senado australiano vota uma moção de Rex Patrick que defende a realização de um inquérito alargado sobre eventuais apoios do Governo australiano a Timor-Leste para Tasi Mane.

Rex Patrick explicou que o inquérito pretende analisar "a assistência e cooperação dadas até hoje" pelo Governo australiano ao projeto timorense, e determinar "possíveis apoios e colaborações futuras do Governo" a Tasi Mane.

O senador quer apurar "oportunidades de a indústria australiana apoiar no desenho, desenvolvimento e execução" do projeto e determinar oportunidades "relativamente a atividades e projetos incidentais" a Tasi Mane".

"De facto o que se pretende é analisar que pode ser feito, colocar na mesa o que é possível fazer e depois ver o que deve ser feito ou não", disse.

O senador sublinha que se Tasi Mane é, como argumenta Camberra, "a opção que envolve mais risco", então a Austrália "deveria tentar minimizar esses riscos e complicação dando o máximo de apoio possível".

Na notificação de moção, Rex Patrick refere o contexto da ratificação do tratado de fronteiras marítimas permanentes entre os dois países e da exploração dos campos de Greater Sunrise, com opção do processamento do gás em Darwin ou na costa sul de Timor-Leste.

Em Timor-Leste esse processamento seria levado a cabo no quadro de um projeto, para o qual o Governo está atualmente à procura de investidores, conhecido como Tasi Mane, que criaria, segundo Patrick "um corredor de infraestruturas petrolífera" na zona sul.

O componente "upstream" do projeto será levado a cabo por um consórcio onde a petrolífera timorense TimorGap tem capital maioritário e de que fazem parte também a australiana Woodside e a japonesa Osaka Gás.

Rex Patrick recorda uma clarificação dada em setembro último no Senado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros australiano sobre esta matéria, que afirmou que "a Austrália quer que o Greater Sunrise seja desenvolvido de forma comercialmente viável".

Esse desenvolvimento tem que ser feito de "forma a maximizar o retorno para as partes e, assim, contribua para as prioridades de desenvolvimento económico de Timor-Leste", notou o Governo australiano.

O projeto do Greater Sunrise constitui o maior investimento de sempre do Governo timorense, que já utilizou 650 milhões de dólares do fundo petrolífero para comprar uma participação maioritária no consórcio que vai realizar o componente de "upstream" do projeto.

Francisco Monteiro, presidente da petrolífera Timor Gap - que comprou a participação em nome do Estado timorense - disse na altura que Timor-Leste quer evitar recorrer ao Fundo Petrolífero para financiar os custos de capital de até 12 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 11 mil milhões de euros) para o desenvolvimento do projeto.

Após o início da produção, é esperado um retorno financeiro que pode alcançar os 28 mil milhões de dólares (24,7 mil milhões de euros), explicou.

Globalmente, incluindo o Greater Sunrise, a Timor Gap diz que o país tem um potencial equivalente a mais de 6,3 mil milhões de barris de petróleo por explorar nos próximos 50 anos, com um valor de 378 mil milhões de dólares (cerca de 334 mil milhões de euros).

Esse potencial de exploração poderá representar uma injeção de 223 mil milhões de dólares (197 mil milhões de euros) na economia, em serviços como engenharia, desenvolvimento, manutenção e operações, e benefícios fiscais e rendimentos públicos de mais de 47 mil milhões (41 mil milhões de euros).

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