Rússia e China vetam prolongamento de ajuda humanitária transfronteiriça da ONU

Síria

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  |  Reuters

A Rússia e a China vetaram hoje no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução da Alemanha, Bélgica e Koweit para prolongar a ajuda humanitária transfronteiriça na Síria, que Moscovo diz já não se justificar.

Esta é a 14.ª vez que a Rússia exerce o seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU em matérias relacionadas com a Síria, desde o início do conflito na região, em 2011, e é a segunda vez que a China veta um texto humanitário sobre aquele país do Médio Oriente.

Os restantes 13 membros do Conselho votaram a favor do texto.

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que as autoridades sírias "recuperaram o controlo da maior parte do território" e que, por isso, a resolução se tornou "obsoleta".

Pelo lado dos outros países membros, a vice-embaixadora da França nas Nações Unidas, Anne Gueguen, respondeu que "não há alternativa a essa ajuda transfronteiriça", classificando a decisão da Rússia como "irresponsável" e "sinistra".

Também a embaixadora norte-americana na ONU, Kelly Craft, fala de irresponsabilidade e de "crueldade" por parte de Moscovo.

A autorização de ajuda humanitária da ONU para a Síria expira em 10 de janeiro e os membros do Conselho de Segurança esperam que haja ainda a possibilidade de negociar um novo compromisso antes daquela data.

Alemanha, Bélgica e Koweit começaram por propor uma extensão da ajuda humanitária à Síria por um ano através de cinco pontos de passagem de fronteira (três com a Turquia, um com o Iraque e um com a Jordânia).

Na segunda-feira, a Rússia anunciou que apenas aceitaria a prorrogação por seis meses e dois pontos de passagem (na fronteira entre a Síria e a Turquia).

Após várias negociações, os três países proponentes cederam no número de pontos de passagem, que, na noite de quarta-feira, tinham ficado reduzidos a três (dois na fronteira com a Turquia e um na fronteira com o Iraque).

Na quinta-feira, os três países aceitaram eliminar o ponto de passagem na fronteira com o Iraque e retiraram do texto a exigência de prorrogação da ajuda por um ano, mencionando apenas "um período de seis meses, seguido de um período adicional de seis meses, a menos que o Conselho decida de outra forma".

Nas últimas horas, Rússia e China analisaram a proposta e conversaram com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que se encontra na Europa.

Hoje, os dois países com assento permanente no Conselho de Segurança recusaram a possibilidade de ajuda humanitária, que abrangeria cerca de quatro milhões de sírios, alegando que o Governo sírio conseguiu controlo suficiente do seu território - após o abandono de tropas norte-americanas do nordeste da Síria, no final deste ano - para que a autorização da ONU fosse drasticamente reduzida.

A avaliação russa é contestada pelos restantes países do Conselho e o Departamento de Assuntos Humanitários da ONU considera que a ajuda transfronteiriça continua a ser vital para a sobrevivência de milhões de sírio, tendo em conta a degradação das condições de vida e a entrada na ríspida época de inverno.

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