Ramos-Horta defende "remodelação a sério" em Timor-Leste

Ramos-Horta defende "remodelação a sério" em Timor-Leste

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O ex-Presidente timorense José Ramos-Horta defendeu uma "remodelação a sério" no Governo e que o chefe de Estado de Timor-Leste dê posse a uma dezena de membros do executivo, indigitados há mais de um ano. "É óbvio que é preciso uma remodelação a sério. Já não é matéria da minha competência dizer se deve incluir ou não o primeiro-ministro", disse em entrevista à Lusa.

"Há pessoas que poderão fazer melhor, estando noutra pasta do que nas atuais ou alguns que deveriam reconhecer incapacidade e ceder lugar, ir para o PN [Parlamento Nacional] em vez do Governo", afirmou.

Ramos-Horta, que falava depois do primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, ter retirado na semana passada a proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020 perante forte contestação dentro das bancadas do Governo, considera ainda que o executivo atual é "demasiado grande".

O Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, recusou dar posse a 12 membros do Governo indigitados pelo primeiro-ministro em junho do ano passado, com o argumento de terem processos na justiça ou um "perfil ético controverso".

A Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), coligação do Governo, acabou por apresentar três novos nomes que foram aceites e nomeados pelo Presidente, mas posteriormente pediu o adiamento 'sine die' da respetiva posse, "em solidariedade" com os que foram recusados.

Na entrevista à Lusa, José Ramos-Horta questionou o facto do Orçamento Geral do Estado (OGE) ter sido apresentado sem o aparente consenso dentro da coligação do Governo - especialmente do maior partido - , defendendo igualmente um diálogo com a oposição.

"Como é possível levar-se o OGE ao parlamento sem que tivesse havido consenso entre as próprias bancada do Governo. Simplesmente não há precedente disso", disse o ex-Presidente.

"Não compreendo como é possível levar OGE ao parlamento sem que o maior partido da coligação com 22 cadeiras, o triplo do segundo partido da coligação, o PLP, tivesse participado ativamente na feitura deste orçamento", disse.

O Governo timorense está atualmente a preparar uma nova proposta do OGE para o próximo ano que quer levar ao parlamento até final desta semana.

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